29 de agosto de 2025
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Mulher de João Pessoa é investigada pela PF em esquema que usava Farmácia Popular para lavar dinheiro do tráfico

 Mulher de João Pessoa é investigada pela PF em esquema que usava Farmácia Popular para lavar dinheiro do tráfico

Foto: Reprodução

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Uma mulher de João Pessoa foi citada em uma investigação da Polícia Federal que apura o uso fraudulento do programa Farmácia Popular como ferramenta de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas. Segundo informações obtidas pelo PB Agora, Célia Aparecida de Carvalho é apontada como uma das principais articuladoras do esquema criminoso, sendo responsável por fornecer CNPJs de empresas de fachada utilizadas para simular farmácias e desviar recursos públicos.

De acordo com a PF, o número de telefone de Célia foi cadastrado como contato de uma farmácia supostamente localizada em um terreno baldio tomado pelo mato, em Goiás. No local, nunca houve funcionamento de fato. A “drogaria” existia apenas no papel e servia para registrar vendas fictícias de medicamentos no sistema do programa federal, que subsidia remédios gratuitos ou com até 90% de desconto à população.

O esquema já identificou o desvio de pelo menos R$ 40 milhões por meio de farmácias fantasmas espalhadas por vários estados, incluindo São Paulo, Goiás, Pernambuco, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e a Paraíba. A ligação do número de Célia com o ponto falso em Goiás reforça a suspeita de que João Pessoa também foi usada como base de apoio para as atividades do grupo.

A investigação revelou ainda que os criminosos compravam e vendiam CNPJs e usavam CPFs de pessoas inocentes para registrar compras inexistentes de medicamentos. O dinheiro desviado, segundo a PF, era destinado à compra de cocaína na Bolívia e no Peru, abastecendo facções criminosas como o Comando Vermelho e o Clã Cisneros — organização peruana envolvida na produção clandestina de entorpecentes.

Ainda conforme apuração do PB Agora, Célia negociava as farmácias fictícias com Adriano Rezende Rodrigues, conhecido como “Adriano Tatu”, sócio de uma drogaria em Cerquilho (SP) que, sozinha, teria recebido quase R$ 1 milhão do programa. A PF também investiga a ligação da paraibana com Fernando Batista da Silva, o “Fernando Piolho”, apontado como líder da quadrilha.

A dimensão da fraude é considerada alarmante: pelo menos 148 farmácias — entre reais e fantasmas — estariam envolvidas, com uso indevido de cerca de 160 mil CPFs em todo o país. Apenas no programa Farmácia Popular, o sistema de controle detecta diariamente mais de 140 mil tentativas suspeitas de autorizações de vendas.

As investigações continuam, com foco no rastreamento dos repasses e nas conexões locais dos envolvidos.

Por Paraíba Master

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