Mercado financeiro reduz projeção da inflação para 2025 e mantém previsão de alta da Selic, segundo Boletim Focus

Marcello Casal JrAgência Brasil
O Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (28) pelo Banco Central, trouxe nova revisão para baixo na expectativa de inflação para 2025. Segundo o relatório, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve encerrar o ano com alta de 5,09%, levemente abaixo da projeção anterior de 5,1%. Esta é a nona redução consecutiva na estimativa do mercado financeiro, conforme destacou a Agência Brasil.
Apesar da ligeira queda na previsão, a expectativa permanece acima do teto da meta de inflação fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3% com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos – o que estabelece um limite superior de 4,5%.
Para os anos seguintes, o cenário se mostra mais estável: a inflação esperada para 2026 recuou de 4,45% para 4,44%, enquanto as projeções para 2027 e 2028 permanecem em 4% e 3,8%, respectivamente.
Selic deve seguir elevada
A expectativa para a taxa básica de juros, a Selic, é de que ela permaneça no patamar de 15% ao ano até o fim de 2025. A projeção reflete a decisão recente do Comitê de Política Monetária (Copom), que promoveu o sétimo aumento consecutivo da taxa, citando incertezas sobre o cenário fiscal e inflação resistente. A ata da última reunião indica que o BC deve manter os juros neste nível por mais tempo, embora não descarte novas altas, dependendo da evolução dos indicadores.
Para 2026, a previsão é de uma redução da Selic para 12,5% ao ano. Já para 2027 e 2028, o mercado estima cortes mais significativos, com a taxa caindo para 10,5% e 10% ao ano, respectivamente.
PIB e câmbio
No que diz respeito ao desempenho da economia, a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025 foi mantida em 2,23%. Para 2026, houve uma ligeira alta na expectativa, de 1,88% para 1,89%. As projeções para 2027 e 2028 seguem inalteradas em 2% ao ano.
Já a cotação do dólar deve encerrar 2025 em R$ 5,60, subindo para R$ 5,70 ao fim de 2026, conforme o relatório divulgado pela Agência Brasil.
Inflação acumulada segue acima da meta
Embora tenha desacelerado em junho – influenciada pela queda no preço dos alimentos e mesmo com o impacto da energia elétrica – a inflação acumulada em 12 meses ficou em 5,35%, segundo o IBGE, ainda acima do teto da meta pelo sexto mês consecutivo. De acordo com as novas regras em vigor desde 2024, esse comportamento configura o descumprimento da meta, exigindo que o presidente do Banco Central envie uma carta ao ministro da Fazenda explicando os motivos e as medidas adotadas para retomar o controle da inflação.
Por Paraíba Master