28 de setembro de 2026
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Crianças e jovens levam suas vozes à COP30 em Belém e cobram ações climáticas imediatas

 Crianças e jovens levam suas vozes à COP30 em Belém e cobram ações climáticas imediatas

Foto: reprodução

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Crianças e adolescentes ocuparam os corredores da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada nesta segunda-feira (17), em Belém (PA). Segundo o Agência Brasil, com um dia temático dedicado à infância e à juventude, as discussões ganharam uma nova dimensão a partir do olhar de quem teme que o futuro possa não chegar.

A jovem paulista Sofia de Oliveira, de 15 anos, expressou a preocupação comum entre os participantes mais novos:

“Se a gente não conseguir atingir as metas necessárias, o planeta vai se deteriorar e nós, que somos crianças, não vamos conseguir ter um futuro que a gente realmente gostaria, com paz entre as pessoas e a natureza.”

Do outro lado do mundo, a tanzaniana Georgia Magessa, 11 anos, também acompanha de perto os efeitos das mudanças climáticas em seu país. Em Belém para participar da COP30, ela relata como o aumento das temperaturas já afeta o cotidiano das crianças:

“O calor faz com que seja difícil para nós irmos brincar em áreas abertas. Se está muito quente, fica mais difícil para algumas crianças irem à escola, especialmente as mais vulneráveis ou com deficiência. Então, crianças e jovens são afetados de muitas formas.”

Mobilizada pela urgência climática, Georgia criou uma organização liderada por crianças em seu território. “Eu e outras crianças plantamos árvores, limpamos praias e também salvamos o meio ambiente”, explica.

Na Amazônia, André da Luz, de 17 anos, cresceu entre Belém e Cametá (PA) e já observa mudanças evidentes no clima local.

“Dez anos atrás, a gente tinha chuvas em períodos mais definidos. Agora tudo destoou. Está muito mais quente ou muito mais frio, e chove muito mais.”

Esses três jovens fazem parte das MiniCops, iniciativa criada pela presidência da COP30 para garantir a participação ativa de crianças no processo multilateral de debates climáticos. O movimento nasceu de uma proposta do Instituto Alana, incorporada ao Balanço Ético Global, e funciona por meio de uma constituinte de crianças e adolescentes liderada pela campeã da juventude para a conferência, Marcele Oliveira.

Segundo JP Amaral, gestor de Natureza do Instituto Alana, a iniciativa torna real o compromisso da presidência brasileira da COP30 com a escuta ativa da infância:

“A gente está trazendo as vozes das crianças não apenas para uma foto, mas para participação efetiva no processo.”

O instituto também apresentou um estudo que analisou todas as menções à infância nos compromissos resultantes das COPs. O levantamento mostra que, até a COP16, apenas duas decisões consideravam as crianças. Nos últimos seis anos, porém, houve 77 menções — um avanço significativo, mas ainda insuficiente, segundo Amaral.

A expectativa dos jovens participantes e das organizações é que a COP30 reconheça as crianças como prioridade transversal em todas as decisões, da transição justa aos indicadores de adaptação e às pautas de gênero.

Por Paraíba Master

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