Comércio Brasil–Irã soma quase US$ 3 bilhões em 2025 e entra no radar após ameaça tarifária dos EUA
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O intercâmbio comercial entre Brasil e Irã se manteve elevado em 2025, alcançando cifras próximas a US$ 3 bilhões, apesar de o país do Oriente Médio responder por menos de 1% das exportações brasileiras. Informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) indicam que as vendas do Brasil para o mercado iraniano chegaram a US$ 2,9 bilhões no ano passado.
Com esse volume, o Irã figurou como o quinto maior destino dos produtos brasileiros no Oriente Médio, atrás apenas de Emirados Árabes Unidos, Egito, Turquia e Arábia Saudita. No ranking global, o país aparece na 31ª colocação, à frente de economias como Suíça, África do Sul e Rússia quando se considera apenas o desempenho em 2025.
A pauta exportadora é fortemente concentrada no agronegócio. Milho e soja responderam por mais de 87% de tudo o que o Brasil enviou ao Irã no período. O milho liderou com folga, representando cerca de dois terços do total exportado, enquanto a soja ficou próxima de 20%. Açúcares, derivados de soja usados na ração animal e petróleo também integraram a lista dos principais itens.
No sentido inverso, as compras brasileiras junto ao Irã foram bem menores. Em 2025, o país importou cerca de US$ 84 milhões, com destaque para adubos e fertilizantes, que corresponderam à maior parte do valor. Produtos como frutas secas, pistaches, nozes e uvas também apareceram na pauta.
O comércio bilateral tem variado ao longo dos últimos anos. Após atingir um pico em 2022, quando as exportações brasileiras ultrapassaram US$ 4 bilhões, houve recuo em 2023 e retomada gradual em 2024 e 2025. As importações seguiram trajetória semelhante, com oscilações mais acentuadas.
Pressão dos Estados Unidos
O tema ganhou novo peso político nesta semana, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar a intenção de aplicar uma tarifa de 25% sobre países que mantenham negócios com o Irã. Segundo ele, a cobrança atingiria transações realizadas com os próprios Estados Unidos e teria efeito imediato, embora os detalhes ainda não tenham sido formalizados pela Casa Branca.
A sinalização levantou preocupação no setor exportador brasileiro, especialmente no agronegócio, que concentra a maior parte das vendas ao mercado iraniano. O governo brasileiro informou que aguarda a publicação oficial da medida para avaliar seus impactos e definir uma posição.
Avanços diplomáticos
Nos últimos anos, Brasília e Teerã também ampliaram o diálogo institucional. Em 2024, o ministro da Agricultura do Irã esteve no Brasil para reuniões com o ministro Carlos Fávaro, quando foi acertada a criação de um comitê bilateral voltado ao setor agrícola. A proposta é facilitar negociações, ampliar a cooperação técnica e destravar entraves comerciais.
Na mesma ocasião, o governo iraniano manifestou interesse em instalar uma empresa de navegação no país, iniciativa que poderia reduzir custos logísticos e fortalecer o fluxo de mercadorias. Desde 2023, o Irã integra o Brics, grupo do qual o Brasil é um dos fundadores.
A possível adoção de sanções tarifárias pelos Estados Unidos ocorre em um cenário de tensão entre Washington e Teerã, marcado por trocas de acusações, episódios de instabilidade interna no Irã e sinais contraditórios sobre eventuais negociações diplomáticas. Esse contexto adiciona incerteza ao futuro do comércio entre Brasil e Irã.
Por Paraíba Master