COP15 avança sem atrasos e discute inclusão de 42 novas espécies em listas de proteção
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A 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre Espécies Migratórias (COP15), realizada em Campo Grande (MS), chegou à metade da programação com andamento considerado positivo pela organização. Até esta quinta-feira (26), os debates sobre a possível inclusão de 42 novas espécies nos mecanismos internacionais de conservação registram avanços, sem prejuízos ao cronograma inicial.
De acordo com o presidente do evento e secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, não há registros de problemas que comprometam o ritmo das atividades. Segundo ele, a agenda segue conforme o planejado desde a abertura da conferência.
As discussões concentram-se na atualização dos anexos da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres, que classificam espécies em risco de extinção (Anexo I) e aquelas sob pressão (Anexo II). O processo inclui análises técnicas e questionamentos entre países sobre as bases científicas que justificam a inclusão ou reclassificação das espécies.
Estudos e participação científica
Nos primeiros dias do encontro, foram apresentados diversos estudos, incluindo um relatório que aponta queda acentuada nas populações de peixes migratórios de água doce. Além das negociações oficiais, a conferência também abre espaço para contribuições de pesquisadores, organizações da sociedade civil e comunidades tradicionais, que apresentam dados e recomendações.
Medidas ambientais anunciadas
Antes mesmo do início da COP15, o governo federal anunciou iniciativas alinhadas aos objetivos do evento. Entre elas está a criação do Parque Nacional do Albardão e da Área de Proteção Ambiental (APA) do Albardão, no Rio Grande do Sul, abrangendo mais de 1 milhão de hectares e diferentes faixas de profundidade marinha.
Outras medidas incluem a criação de uma reserva de desenvolvimento sustentável em Minas Gerais e a ampliação de áreas protegidas no Pantanal, reforçando a preservação de biomas estratégicos.
Incentivo à pesquisa
O Ministério do Meio Ambiente, em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, lançou um edital para financiar estudos sobre espécies migratórias. A iniciativa busca mapear rotas, identificar áreas críticas e avaliar a necessidade de novas medidas de proteção.
Estrutura institucional reforçada
Durante o evento, também foram anunciadas a criação de varas judiciais e unidades do Ministério Público Federal especializadas no Pantanal, fortalecendo a atuação institucional na defesa ambiental.
Para Capobianco, as ações demonstram o compromisso do Brasil com os acordos internacionais de conservação. Ele destacou ainda a importância de “liderar pelo exemplo”, conceito frequentemente defendido pela ministra Marina Silva, como forma de alinhar discurso e prática na agenda ambiental global.
Por Paraíba Master