Educação deve valorizar cultura local e participação dos alunos, defende pesquisador pernambucano Lucas dos Prazeres
Foto: Reprodução
A sala de aula precisa deixar de ser um ambiente limitado à repetição de conteúdos e passar a estimular a participação ativa dos estudantes, além de valorizar suas origens culturais. Essa é a proposta defendida pelo artista e pesquisador pernambucano Lucas dos Prazeres, que tem percorrido diferentes regiões do país promovendo formações voltadas a educadores da rede pública.
Segundo ele, práticas lúdicas e elementos da cultura popular podem desempenhar papel central no processo de ensino-aprendizagem. “A brincadeira pode ser estruturante na pedagogia. Quando a escola incorpora manifestações culturais locais, o estudante reconhece sua própria identidade e território”, afirma.
A abordagem dialoga com a Lei nº 11.645/2008, que tornou obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena em instituições de ensino fundamental e médio, tanto públicas quanto privadas.
Para o pesquisador, o conceito de “tecnologia” na educação deve ir além de recursos digitais e considerar também as redes comunitárias de cuidado, características de povos tradicionais. Nessa perspectiva, a responsabilidade pela formação das crianças ultrapassa o núcleo familiar.
Nesta semana, Lucas dos Prazeres realiza a capacitação de 60 professores do Distrito Federal em um projeto apoiado pela Caixa Cultural. A formação, intitulada “Reaprender Brincando”, propõe a inclusão de brincadeiras e saberes tradicionais no currículo escolar.
O educador defende uma prática pedagógica que una ensino e identidade de forma inclusiva e antirracista, sem restringir a arte a momentos pontuais ou comemorativos dentro da escola. Para ele, a cultura está presente no cotidiano e deve ser incorporada às diversas disciplinas, inclusive nas áreas consideradas mais técnicas, como as ciências exatas.
Natural do Morro da Conceição, em Pernambuco, o pesquisador destaca que sua trajetória foi influenciada pela convivência com a diversidade cultural do local. Ele relembra que, ainda na infância, percebeu a distância entre o material didático utilizado nas escolas e a realidade dos alunos.
“Os conteúdos muitas vezes não dialogavam com o cotidiano das crianças. Era comum encontrar exemplos distantes da vivência delas, o que dificultava a identificação com o aprendizado”, recorda.
Diante desse cenário, Lucas dos Prazeres reforça a necessidade de que educadores, em todos os níveis, integrem a cultura popular às práticas pedagógicas. Para ele, gestores também precisam ampliar a compreensão sobre o papel da cultura na escola.
“Não se trata apenas de apresentações artísticas em datas comemorativas. A cultura deve ser entendida como ferramenta de ensino, capaz de fortalecer o aprendizado e a construção da identidade dos estudantes”, conclui.
Por Paraíba Master