3 de outubro de 2026
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Comando Vermelho pode ter sido pai da campanha do prefeito de Cabedelo, de acordo com PF- até o momento líderes políticos que apoiaram o suspeito, não se pronunciaram

 Comando Vermelho pode ter sido pai da campanha do prefeito de Cabedelo, de acordo com PF- até o momento líderes políticos que apoiaram o suspeito, não se pronunciaram
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O prefeito de Cabedelo, Edvaldo Neto (Avante), foi afastado do cargo por decisão da Justiça nesta terça-feira, menos de 48 horas após ser eleito. A medida ocorre no âmbito de uma investigação da Polícia Federal em conjunto com o Ministério Público da Paraíba.

O gestor é um dos alvos da operação que apura um esquema de desvios em contratos públicos, além da suposta infiltração da facção criminosa Comando Vermelho na administração municipal da cidade, localizada na Região Metropolitana de João Pessoa.

De acordo com informações, o prejuízo potencial sob investigação pode chegar a cerca de R$ 273 milhões.

A eleição suplementar em Cabedelo ocorreu no último domingo após a cassação do prefeito anterior, também por suspeitas de ligação com organizações criminosas.

Além de Edvaldo Neto, outros servidores da prefeitura foram afastados de suas funções. A gestão municipal ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso.

Esquema investigado

As investigações identificaram um fluxo financeiro considerado ilícito, com origem em contratos públicos, que estaria abastecendo a organização criminosa. Também foi mapeada uma rede de conexões entre agentes públicos e operadores privados.

Segundo os investigadores, a estrutura da prefeitura teria sido utilizada como suporte logístico e financeiro da facção.

No centro do esquema está a empresa Lemon Terceirização, suspeita de participação em pelo menos dois processos licitatórios, realizados em 2024 e 2025, que teriam sido direcionados mediante a desclassificação de concorrentes.

A apuração também aponta que um núcleo do Comando Vermelho, conhecido como “Tropa do Amigão”, teria influência direta na indicação de nomes para cargos dentro da administração pública.

Outro ponto revelado foi a existência de uma espécie de “folha paralela”, utilizada para remunerar pessoas envolvidas no esquema. Os pagamentos irregulares seriam mascarados como despesas com mão de obra.

Operação “Cítrico”

Batizada de “Cítrico”, a operação cumpre 21 mandados de busca e apreensão e conta ainda com a participação da Controladoria-Geral da União.

A investigação apura a contratação fraudulenta de empresas fornecedoras de mão de obra ligadas à facção criminosa, o que teria permitido a infiltração de integrantes do grupo na estrutura da prefeitura.

De acordo com a Polícia Federal, os contratos públicos eram utilizados como ferramenta para garantir poder, influência territorial e proteção institucional ao grupo criminoso.

Os investigadores apontam ainda a existência de um “consórcio político-criminoso”, envolvendo agentes públicos, empresários e membros da facção.

Um delator ligado ao Comando Vermelho relatou a existência de um sistema de troca de favores entre a organização criminosa e a gestão municipal, que incluía a concessão de cargos e contratos em troca de apoio territorial — estratégia que visava garantir estabilidade política e reduzir conflitos armados na região.

Por Paraíba Master

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