30 de setembro de 2026
Abrir Player em Nova Janela

EUA ampliam pressão sobre Irã e ameaçam cobrar taxa sobre navios escoltados no Estreito de Ormuz

 EUA ampliam pressão sobre Irã e ameaçam cobrar taxa sobre navios escoltados no Estreito de Ormuz

Foto: Reprodução

#Compartilhe

Os Estados Unidos elevaram o tom da disputa com o Irã ao anunciar novas medidas de pressão sobre o tráfego marítimo na região do Golfo Pérsico. Na noite de segunda-feira (13), o presidente americano, Donald Trump, afirmou que Washington poderá cobrar uma tarifa de 20% sobre o valor das cargas transportadas por navios que receberem apoio dos EUA para atravessar o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais para o comércio de petróleo.

A declaração foi publicada por Trump nas redes sociais, onde afirmou que os Estados Unidos assumiriam o papel de “guardiões” da passagem estratégica. O Comando Central das Forças Armadas americanas informou que detalhes sobre eventuais taxas deveriam ser esclarecidos pela Casa Branca.

Disputa pela passagem estratégica

A tensão entre Washington e Teerã aumentou nos últimos dias devido ao controle do Estreito de Ormuz, corredor marítimo por onde circula uma parcela significativa da produção mundial de energia. Segundo relatos, navios comerciais que tentam utilizar rotas próximas ao território de Omã, apoiadas pelos Estados Unidos e sem coordenação com autoridades iranianas, têm sido alvo de ataques.

Em resposta, forças militares americanas mantêm operações contra alvos na costa sul do Irã, alegando que as ações têm como objetivo impedir que Teerã interrompa o fluxo de embarcações pela região.

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que o Irã continuará exercendo influência sobre o estreito e declarou que o país deveria ser considerado o principal responsável pela segurança da passagem. Segundo ele, uma eventual regulamentação de taxas e autorizações conduzida por Teerã seria mais legítima do que uma iniciativa americana.

O analista de assuntos internacionais Lourival Sant’Anna avaliou que a proposta apresentada por Trump não possui respaldo no direito internacional. Segundo ele, a comunidade internacional não reconhece a autoridade de qualquer país para estabelecer cobranças unilaterais sobre uma rota marítima estratégica.

Para o especialista, a declaração do presidente americano também teria um objetivo político interno, transmitindo à população dos Estados Unidos a ideia de que o governo estaria defendendo interesses nacionais.

Mercado reage e fluxo de navios diminui

A escalada militar já provoca impactos econômicos. O petróleo Brent registrou alta próxima de 10% na segunda-feira (13), em uma das maiores valorizações desde o início de abril.

Dados de empresas de monitoramento marítimo, como Kepler e MarineTraffic, apontam que o movimento de embarcações no Estreito de Ormuz caiu aproximadamente pela metade em uma semana, diante do aumento dos riscos para operadores comerciais.

O economista e especialista em Oriente Médio Najad Khouri destacou que o estreito representa uma ferramenta estratégica para o Irã. Segundo ele, a Guarda Revolucionária iraniana considera o controle da região um instrumento de pressão internacional, capaz de afetar o mercado global de energia.

Khouri também afirmou existir uma disputa interna no Irã, com a Guarda Revolucionária adotando posições próprias em relação ao setor político responsável pelas negociações diplomáticas.

Países buscam alternativas ao Estreito de Ormuz

Com o aumento da instabilidade, países do Golfo começaram a acelerar planos para reduzir a dependência da rota marítima. Os Emirados Árabes Unidos trabalham na expansão de um oleoduto que permite transportar petróleo até um porto localizado fora do Estreito de Ormuz, com saída pelo Golfo de Omã.

A Arábia Saudita também amplia a capacidade de seu sistema de oleodutos que conecta a região do Golfo Pérsico ao Mar Vermelho. Outras alternativas envolvendo Kuwait e Bahrein também estão sendo analisadas.

Apesar dos esforços, especialistas avaliam que a maioria dessas soluções exigiria anos para alcançar plena capacidade, com exceção das estruturas já existentes nos Emirados Árabes Unidos.

EUA e Irã estudam canal direto de comunicação

Em meio à crise, estão em andamento negociações para criar uma linha direta de comunicação militar entre Estados Unidos e Irã, um mecanismo semelhante a uma “linha de emergência” para evitar novos confrontos.

Segundo Lourival Sant’Anna, a iniciativa poderia servir como primeiro passo para estabelecer garantias mútuas e abrir caminho para uma negociação sobre a segurança do Estreito de Ormuz. Ao mesmo tempo, ele destacou que as operações militares americanas na região continuam.

Desafio é superar a crise de confiança

Para Sant’Anna, uma possível solução dependeria de um acordo que contemple as preocupações de segurança da Guarda Revolucionária iraniana. Embora negociações anteriores tenham previsto benefícios econômicos para o governo civil do Irã, como suspensão de sanções, liberação de recursos financeiros e investimentos para reconstrução, os militares iranianos exigiriam garantias contra novos ataques.

O analista lembrou que a relação entre os dois países foi marcada por episódios de ruptura, incluindo a saída dos Estados Unidos do acordo nuclear com o Irã em 2018 e ataques ocorridos durante períodos de negociação.

Segundo ele, seria necessário um novo pacto de segurança regional envolvendo os países do Oriente Médio para reduzir as tensões e evitar uma escalada militar.

Najad Khouri afirmou que o cenário permanece instável e imprevisível. Para o especialista, apesar de existirem negociações em andamento, a continuidade dos confrontos mantém aberta a possibilidade de uma crise ainda maior na região.

 

Por Paraíba Master

Relacionados