Escritório da mulher de Moraes esteve ligado a dois contratos com o Banco Master; um deles chegou a R$ 131 milhões
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A investigação da Polícia Federal sobre as relações entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e o entorno do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), revelou detalhes de dois contratos envolvendo o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
O primeiro acordo, que efetivamente teria sido assinado, previa pagamentos que chegaram a aproximadamente R$ 131,2 milhões. O segundo, de R$ 50 milhões, envolvia uma proposta de pagamento que incluía aeronaves.
Contrato de R$ 131 milhões
O principal contrato foi firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes. Segundo documentos analisados pela PF e informações divulgadas nesta terça-feira (1º), o acordo previa 36 parcelas mensais, com valores brutos de aproximadamente R$ 3,64 milhões cada, totalizando R$ 131,27 milhões.
O caso ganhou repercussão porque registros técnicos do documento indicam que a versão final do contrato foi editada por um perfil identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”, em janeiro de 2024. A PF encontrou o arquivo no celular de Vorcaro.
Segundo a investigação, Viviane manteve contato direto com Vorcaro durante a negociação. Em uma das mensagens, ela encaminhou a minuta do contrato ao banqueiro para avaliação.
O escritório afirma que Moraes analisou os contratos por questões relacionadas a compliance, e não como advogado do Banco Master. A defesa também sustenta que as informações divulgadas estão sendo apresentadas fora de contexto.
Segundo contrato: R$ 50 milhões e aeronaves
A PF também encontrou informações sobre um segundo contrato, no valor de R$ 50 milhões, que teria sido negociado entre Vorcaro e o escritório de Viviane.
Nesse acordo, parte do pagamento seria feita por meio da transferência de cotas de um jatinho e de um helicóptero, avaliadas em cerca de R$ 40 milhões. Os outros R$ 10 milhões seriam relacionados ao reembolso de despesas com voos.
Apesar das negociações e das minutas encontradas pela investigação, o escritório de Viviane Barci de Moraes afirma que apenas o contrato de aproximadamente R$ 130 milhões foi efetivamente assinado. O segundo acordo, portanto, teria permanecido no campo das tratativas.
Pagamentos e novas suspeitas
As mensagens encontradas no celular de Vorcaro também mostram preocupação com os pagamentos ao escritório. Em determinado momento, o banqueiro classificou um pagamento como prioritário e discutiu formas de realizá-lo. Um depósito de aproximadamente R$ 3,4 milhões foi identificado.
O caso passou a integrar uma investigação mais ampla sobre a relação entre Vorcaro e autoridades públicas. O ministro André Mendonça retirou o sigilo de parte do inquérito e encaminhou informações à Procuradoria-Geral da República para análise.
As revelações ocorrem enquanto a PF apura se houve tentativa de influência sobre autoridades e órgãos de investigação em favor do Banco Master. Moraes nega irregularidades, e o escritório de sua esposa afirma que sua atuação na análise dos documentos ocorreu exclusivamente por questões de compliance.
Por Paraíba Master