A diferença de onze pontos entre Lula e Bolsonaro acaba na pesquisa de hoje, e os dois empatam; Entenda
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O recuo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas eleitorais mais recentes acendeu o alerta no Palácio do Planalto e indica mudança no cenário da disputa presidencial de 2026. Levantamentos divulgados nesta sexta-feira (27) mostram o estreitamento da vantagem do petista e, pela primeira vez na série histórica do instituto, vantagem numérica do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno.
Pesquisa da AtlasIntel já havia apontado empate técnico entre Lula e Flávio em uma projeção de segundo turno, sinalizando encurtamento significativo da vantagem do presidente. Agora, novo levantamento do Paraná Pesquisas confirma a tendência e indica inversão numérica no cenário.
De acordo com o instituto, Flávio Bolsonaro aparece com 44,4% das intenções de voto em um segundo turno, contra 43,8% de Lula — diferença de 0,6 ponto percentual, dentro da margem de erro de 2,2 pontos percentuais. Apesar do empate técnico, é a primeira vez que o senador surge à frente do presidente nesse recorte.
No principal cenário de primeiro turno, Lula soma 39,6%, enquanto Flávio registra 35,3%, também em empate técnico. Na sequência aparecem o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), com 7,6%; o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), com 3,8%; o ativista Renan Santos (Missão), com 1,5%; e o ex-ministro Aldo Rebelo (DC), com 0,5%.
Em uma segunda simulação de primeiro turno, Lula aparece com 40,5%, contra 36,6% de Flávio. Nesse cenário, Zema marca 4,3% e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), registra 3,7%, também tecnicamente empatados.
Segundo análise apresentada no programa Mapa de Risco, o cientista político Cristiano Noronha avalia que o governo precisa reagir rapidamente. Para ele, o desgaste do presidente não se explica por um único episódio, mas por um conjunto de fatores recentes que impactaram a percepção do eleitorado.
Entre os pontos citados está o caso envolvendo o Banco Master, apontado como possível elemento de desgaste para o governo. Noronha defende que o Planalto esclareça os fatos e construa uma resposta consistente para conter danos políticos. Ele também destacou a repercussão negativa, em segmentos evangélicos, de um desfile de escola de samba que gerou críticas ao governo, defendendo a necessidade de diálogo com esse público.
A pauta da segurança pública surge, nesse contexto, como estratégia para reorganizar a narrativa política. A insistência na PEC da Segurança Pública e no chamado PL Antifacção faz parte desse movimento, segundo o analista. A própria AtlasIntel apontou criminalidade, corrupção e o caso Banco Master entre os principais problemas mencionados pelos entrevistados.
Cristiano Noronha pondera, contudo, que o novo cenário não reflete apenas desgaste do governo, mas também crescimento do protagonismo de Flávio Bolsonaro. Na avaliação dele, o senador passa a ser visto por parte do eleitorado como herdeiro político natural do ex-presidente Jair Bolsonaro, consolidando-se como alternativa competitiva no campo bolsonarista.
A pesquisa do Paraná Pesquisas foi realizada entre os dias 22 e 25 de fevereiro, com 2.080 eleitores em 159 municípios, distribuídos pelos 26 estados e pelo Distrito Federal. O grau de confiança é de 95%, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-07974/2026.
A menos de um ano da eleição, o cenário segue aberto, mas os dados indicam que o presidente precisará de ajustes estratégicos para evitar que a tendência de queda se consolide e comprometa o projeto de reeleição.
Por Paraíba Master