Agricultores bloqueiam acessos a Paris contra acordo UE–Mercosul e ampliam pressão sobre Macron
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Agricultores franceses realizaram na madrugada desta quinta-feira (8) uma série de bloqueios em rodovias e vias estratégicas de Paris em protesto contra o acordo de livre comércio que a União Europeia pretende firmar com o Mercosul. A mobilização também inclui críticas à política do governo para o controle de uma doença bovina.
A manifestação foi convocada pela Coordenação Rural, um dos principais sindicatos do setor. O grupo afirma que o tratado com os países sul-americanos pode aumentar a entrada de produtos agrícolas mais baratos no mercado europeu, prejudicando os produtores locais.
“Estamos entre a frustração e o desespero. Temos a sensação de abandono, e o Mercosul é um exemplo disso”, afirmou à agência Reuters Stéphane Pelletier, dirigente da entidade, durante ato realizado nas proximidades da Torre Eiffel.
Mesmo com barreiras policiais montadas durante a madrugada, agricultores conseguiram entrar na capital com tratores e circularam por pontos emblemáticos, como a avenida Champs-Élysées e o entorno do Arco do Triunfo. Em outras áreas, dezenas de veículos agrícolas bloquearam rodovias de acesso a Paris, como a A13, que liga a cidade à Normandia, provocando cerca de 150 quilômetros de congestionamentos, segundo o Ministério dos Transportes.
Mais tarde, produtores ligados à FNSEA, a maior federação agrícola da França, e a sindicatos de jovens agricultores se uniram ao protesto em uma concentração considerada pacífica nas imediações da Torre Eiffel.
A mobilização ocorre em um momento sensível para o governo do presidente Emmanuel Macron. A União Europeia deve votar nesta sexta-feira (9) se avança com o acordo comercial, e Paris tem sido uma das principais opositoras do tratado. Sem maioria no Parlamento francês, o Palácio do Eliseu enfrenta o risco de desgaste político adicional às vésperas das eleições municipais de março e em meio ao crescimento da extrema direita nas pesquisas.
A porta-voz do governo, Maud Bregeon, declarou à rádio France Info que o texto do acordo ainda “não é aceitável”, mas não confirmou se a França votará contra, a favor ou se irá se abster. Já a ministra da Agricultura, Annie Genevard, afirmou que, mesmo que o acordo seja aprovado no âmbito europeu, o país seguirá tentando barrá-lo no Parlamento Europeu.
Para reduzir resistências entre os países do bloco, a Comissão Europeia anunciou nesta semana a antecipação de 45 bilhões de euros em recursos para agricultores no próximo orçamento plurianual da UE, além da redução de tarifas sobre determinados fertilizantes importados.
Alemanha e Espanha apoiam o acordo, e a Itália tende a aderir, o que pode garantir votos suficientes para a aprovação, mesmo sem o aval francês.
Além do Mercosul, os agricultores franceses também protestam contra a política de abate de bovinos adotada pelo governo para conter a dermatite nodular contagiosa. Eles defendem a vacinação como alternativa, além de criticarem os custos elevados e o excesso de regras impostas ao setor.
Segundo o ministro dos Transportes, Philippe Tabarot, a polícia evitou confrontos durante os atos. “Os agricultores não são nossos inimigos”, afirmou.
Por Paraíba Master