28 de setembro de 2026
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Alta da cesta básica atinge todas as capitais e amplia pressão sobre renda do trabalhador

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O custo dos alimentos essenciais subiu em todas as capitais brasileiras, de acordo com levantamento recente do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A capital paulista segue liderando o ranking com a cesta mais cara do país, enquanto Aracaju registra o menor valor médio entre as cidades pesquisadas.

Entre os itens que mais pressionaram os preços estão feijão, batata, tomate, carne bovina e leite. Segundo o estudo, as condições climáticas adversas, especialmente o excesso de chuvas em importantes regiões produtoras, tiveram papel decisivo na elevação dos preços desses produtos. Em sentido oposto, o açúcar apresentou recuo em grande parte das capitais, impulsionado pela oferta elevada.

As maiores altas mensais foram observadas em capitais do Norte e Nordeste, com destaque para Manaus, Salvador e Recife. Também registraram aumentos expressivos cidades como Maceió, Belo Horizonte, Aracaju, Natal, Cuiabá, João Pessoa e Fortaleza.

No recorte dos valores absolutos, além de São Paulo, aparecem entre as cestas mais caras as de Rio de Janeiro, Cuiabá, Florianópolis e Campo Grande. Nas demais capitais, o custo médio ficou abaixo de R$ 800.

Mesmo com o salário mínimo atual de R$ 1.621, o trabalhador precisa dedicar, em média, cerca de 109 horas de trabalho para adquirir os itens básicos de alimentação. Em março de 2026, o comprometimento da renda líquida — já descontada a contribuição previdenciária — chegou a 48,12%, acima do registrado no mês anterior, mas inferior ao percentual observado no mesmo período de 2025.

O tempo médio necessário para comprar a cesta também aumentou, passando de pouco mais de 93 horas em fevereiro para quase 98 horas em março. Ainda assim, o indicador apresenta melhora na comparação anual.

Na análise dos últimos 12 meses, houve elevação do custo em parte das capitais, com destaque para Aracaju, Salvador e Recife. Por outro lado, algumas cidades registraram queda, como Brasília e Florianópolis. A comparação anual considera um número reduzido de capitais devido à limitação da coleta mensal em algumas localidades.

O levantamento aponta que o feijão teve aumento generalizado, influenciado pela menor oferta, dificuldades na colheita e redução de área plantada. Problemas climáticos em estados como Paraná e Bahia afetaram diretamente a produção. Especialistas indicam que, além da quebra de safra, há mudanças no perfil de cultivo, com impacto na disponibilidade das variedades mais consumidas.

Atualmente, o feijão carioca apresenta preços elevados, com expectativa de queda apenas a partir do segundo semestre, com a chegada da safra irrigada. Já o feijão preto, que ainda conta com estoques remanescentes, pode sofrer pressão de alta ao longo do ano devido à redução no plantio.

A Conab projeta uma produção superior a 3 milhões de toneladas, com leve crescimento em relação ao ciclo anterior. No entanto, fatores como custos de insumos e combustíveis ainda geram incertezas para o setor, que também acompanha a tendência de alta nos preços globais dos alimentos.

O Dieese também calcula o valor ideal do salário mínimo necessário para suprir as necessidades básicas de uma família de quatro pessoas. Em março, esse valor foi estimado em R$ 7.425,99 — equivalente a mais de quatro vezes o mínimo vigente — considerando despesas com alimentação, moradia, saúde, educação, transporte e outros itens essenciais.

Por Paraíba Master

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