30 de setembro de 2026
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Anvisa investiga 13 casos de perda de visão em usuários de canetas emagrecedoras

 Anvisa investiga 13 casos de perda de visão em usuários de canetas emagrecedoras

Foto: Divulgação

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) investiga 13 notificações de suspeita de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (Noia), uma doença rara que pode provocar perda repentina e permanente da visão. Os casos envolvem pacientes que utilizavam medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras e utilizados principalmente no tratamento do diabetes e da obesidade.

Segundo levantamento divulgado pelo g1, os registros envolvem cinco notificações relacionadas ao Ozempic, três ao Wegovy, duas ao Wegovy FlexTouch, duas ao Rybelsus e uma ao Mounjaro. Ao todo, 12 notificações citam a semaglutida, princípio ativo presente em Ozempic, Wegovy e Rybelsus, enquanto uma está relacionada à tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro.

A Noia ocorre quando há redução do fluxo sanguíneo para a região do nervo óptico responsável por levar as informações visuais do olho ao cérebro. A interrupção da irrigação pode provocar a morte de parte das células nervosas e levar a uma piora repentina da visão, geralmente em apenas um dos olhos e, em muitos casos, sem dor.

Apesar da investigação, a Anvisa reforça que os casos são considerados suspeitos e que a presença do medicamento e da doença na mesma notificação não comprova uma relação de causa e efeito. A análise também considera que condições como diabetes, hipertensão e obesidade podem aumentar o risco de problemas vasculares e oculares.

A preocupação com a semaglutida não é nova. Desde junho de 2025, a Noia consta nas bulas de medicamentos que contêm a substância como uma reação adversa muito rara, após avaliações regulatórias sobre possíveis riscos relacionados à visão.

Um estudo publicado na revista científica JAMA Ophthalmology, que analisou mais de 1,6 mil prontuários, identificou uma associação entre o uso de semaglutida e um risco de Noia quatro a sete vezes maior em comparação com outros tratamentos. Os próprios pesquisadores, entretanto, apontaram limitações para estabelecer uma relação direta de causa e efeito, especialmente porque parte dos pacientes apresentava diabetes, fator que também pode contribuir para o desenvolvimento da doença.

As fabricantes também se manifestaram. A Novo Nordisk, responsável por Ozempic, Wegovy e Rybelsus, afirma que análises de seus ensaios clínicos não identificaram aumento da incidência de Noia entre pacientes que utilizaram semaglutida. A Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, informou que acompanha continuamente os dados de segurança dos medicamentos, incluindo possíveis questões oftalmológicas.

A recomendação é que os medicamentos sejam utilizados com indicação e acompanhamento médico. Pessoas que apresentarem perda súbita ou recente da visão devem procurar atendimento médico. A suspensão do tratamento, porém, deve ser avaliada individualmente com um profissional de saúde, especialmente em pacientes que utilizam as medicações para controle de doenças como diabetes e obesidade.

Por Paraíba Master 

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