27 de setembro de 2026
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Apontado como peça-chave, Fatoka liga Comando Vermelho a esquema na Prefeitura de Cabedelo

 Apontado como peça-chave, Fatoka liga Comando Vermelho a esquema na Prefeitura de Cabedelo
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Flávio de Lima, conhecido como Fatoka, chefe da facção criminosa Comando Vermelho na Paraíba, está associado ao esquema investigado pela Polícia Federal na prefeitura de Cabedelo, responsável pelo afastamento do prefeito Edvaldo Neto (Avante), usado para empregar integrantes da organização por meio de empresas terceirizadas na administração pública. 

A associação foi citada em um documento do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB), em decisão do desembargador Ricardo Vital de Almeida que autorizou a operação. Fatoka foi apontado como o responsável por indicar pessoas da facção para o esquema nas empresas terceirizadas.

A PF também mirou outras 12 pessoas além de Edvaldo Neto, principal alvo da operação, incluindo familiares e aliados de sua gestão. Entre elas está a então secretária de Administração, Josenilda Batista dos Santos, apontada como braço operacional interno da facção, responsável por executar orientações do grupo e facilitar fraudes em licitações e contratações terceirizadas. 

Também foi alvo da investigação o ex-prefeito Vitor Hugo, apontado como um dos articuladores iniciais do esquema. Segundo as apurações, ele teria participado da construção do modelo operacional e da aproximação com a facção investigada.

Quem é Fatoka

A primeira prisão de Fatoka ocorreu em 2012, quando ele foi acusado de liderar uma facção criminosa na Paraíba, além de envolvimento em rebeliões em presídios e de ordenar homicídios em João Pessoa.

Ele permaneceu preso até 2018, quando ocorreu uma fuga em massa na Penitenciária de Segurança Máxima Doutor Romeu Gonçalves de Abrantes (PB1). Na ocasião, 92 detentos escaparam após a explosão do portão principal da unidade, e Fatoka estava entre eles.

Meses depois, ele foi recapturado em Alagoas, após uma denúncia que levou a Polícia Federal a localizar um grupo de suspeitos escondidos em uma casa de praia, onde se passavam por turistas.

Posteriormente, obteve o relaxamento da prisão e passou a cumprir medidas cautelares com uso de tornozeleira eletrônica. De acordo com a Polícia Civil, ele rompeu o equipamento e voltou a fugir, desta vez para o Rio de Janeiro.

Além de responder por crimes como homicídio e tráfico de drogas, Fatoka também é investigado por suposta coação de eleitores em Cabedelo durante as eleições de 2024. Ele ainda é suspeito de interferir na indicação de nomes para cargos públicos.

As investigações são conduzidas pela Polícia Federal, com apoio do Gaeco-PB. O suspeito integra a lista do Ministério da Justiça que reúne os criminosos mais procurados de cada estado.

Ligação de Fatoka com o esquema em Cabedelo

De acordo com decisão do desembargador Ricardo Vital de Almeida, há indícios de que Fatoka esteja escondido no Rio de Janeiro, mas ainda manteria atuação ativa à distância, com influência sobre ações do grupo na Paraíba, especialmente em Cabedelo.

Depoimentos colhidos ao longo da investigação, entre eles o de uma integrante identificada como “Arroto de Urubu”, apontam que ele seria responsável por determinar ações que vão do controle territorial em comunidades à interferência na gestão pública do município.

Segundo o material, Fatoka também teria influência direta na indicação de pessoas para cargos públicos, inclusive por meio de empresas terceirizadas. Em documentos internos, essas indicações seriam identificadas pela sigla “FTK”.

As investigações apontam ainda que, após a formalização dos contratos, parte dos valores retornaria ao grupo por meio de práticas como pagamento de propina, saques em espécie, “folhas paralelas” e outros mecanismos voltados à ocultação de recursos.

O relatório também cita que pessoas próximas a Fatoka teriam ocupado funções estratégicas na administração municipal, atuando como intermediários entre a facção e o poder público. Entre os elementos levantados, consta ainda que a sogra do prefeito afastado Edvaldo Neto teria atuado como advogada do investigado.

O esquema, segundo a Justiça

De acordo com a investigação, recursos públicos destinados a serviços terceirizados seriam desviados e redistribuídos entre integrantes do esquema político e da facção criminosa.

O modelo funcionaria a partir de licitações suspeitas de direcionamento, nas quais empresas específicas, como a Lemon, seriam favorecidas. Outras concorrentes seriam desclassificadas mesmo com propostas mais vantajosas, com base em decisões administrativas e pareceres jurídicos que dariam aparência de legalidade ao processo.

Após a contratação, as empresas serviriam como intermediárias para inserção de pessoas indicadas pela facção criminosa conhecida como “Tropa do Amigão”, apontada como braço do Comando Vermelho na Paraíba.

O que dizem os investigados

A defesa de Edvaldo Neto afirmou que o prefeito “jamais manteve qualquer vínculo com facção criminosa” e classificou as acusações como “inverídicas”, ressaltando que a medida judicial é provisória e não representa condenação.

O ex-prefeito Vitor Hugo declarou não conhecer uma das investigadas citadas, negou qualquer contato e afirmou ser alvo de perseguição política.

O secretário da Prefeitura de João Pessoa, Rougger Guerra, disse ter sido surpreendido pela operação e negou envolvimento com os fatos investigados. Ele também informou que deixou o cargo.

Cynthia Cordeiro, sogra do prefeito afastado, não se manifestou.

A empresa Lemon afirmou atuar dentro da legalidade, seguindo princípios éticos e normas da administração pública, e declarou colaboração com as investigações.

Em nota, uma representante da empresa disse confiar na Justiça e afirmou que todas as ações foram conduzidas com “rigor técnico e respeito às leis”.

As defesas dos demais investigados não foram localizadas.

Por PARAÍBA MASTER

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