Após ameaçar a Groenlândia, Trump minimiza a influência dos europeus na Otan
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, minimizou as reações de países europeus integrantes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) diante das ameaças de Washington de anexar a Groenlândia, território semiautônomo pertencente à Dinamarca.
“Rússia e China não têm nenhum medo da Otan sem os EUA, e duvido que a Otan estaria lá para nós se realmente precisássemos dela”, afirmou Trump. O presidente também declarou que foi responsável por pressionar os países do bloco a elevar os investimentos em defesa de 2% para 5% do Produto Interno Bruto (PIB).
“A maioria não pagava suas contas até eu aparecer. Os EUA, ingenuamente, estavam pagando por eles. Eu, respeitosamente, os levei a 5% do PIB, e eles passaram a pagar imediatamente. Todos diziam que isso não seria possível, mas foi, porque, acima de tudo, eles são todos meus amigos. Sem a minha intervenção, a Rússia teria tomado toda a Ucrânia”, disse.
De acordo com Agência Brasil, Trump tem sido alvo de críticas de aliados da Otan por reiterar a possibilidade de anexação da Groenlândia. Após ataques militares à Venezuela, o presidente voltou a afirmar que o território é estratégico para a segurança nacional dos Estados Unidos, sugerindo novamente a hipótese de anexação.
Como justificativa, Trump cita a presença de navios chineses e russos no Mar do Ártico. A anexação, no entanto, é considerada ilegal pelo direito internacional. Especialistas ouvidos pela Agência Brasil avaliam que a iniciativa teria como objetivo conter o avanço do comércio chinês pela rota do Ártico, cujo uso tende a crescer com o derretimento das calotas polares provocado pelo aquecimento global, reduzindo custos de frete.
A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, reagiu afirmando que um ataque de um país da Otan contra outro membro representaria “o fim de tudo”, em referência à própria aliança militar, que reúne países europeus, além dos Estados Unidos e do Canadá.
Em comunicado conjunto divulgado nesta terça-feira (6), oito dos 32 países da Otan — França, Alemanha, Reino Unido, Portugal, Espanha, Itália, Polônia e Dinamarca — defenderam a soberania dinamarquesa sobre a Groenlândia. “Cabe à Dinamarca e à Groenlândia, e somente a elas, decidir sobre assuntos que dizem respeito à Dinamarca e à Groenlândia”, diz o texto, que também destaca que “os EUA são um parceiro essencial” para a segurança no Ártico.
Resposta tímida
Na avaliação do major-general português Agostinho Costa, especialista em segurança e geopolítica e ex-vice-presidente da Associação EuroDefense-Portugal, a reação europeia às ameaças de Trump foi “tímida”. Para ele, as declarações do presidente norte-americano configuram um “bullying puro e duro” contra os aliados.
“A Europa está em estado de choque. Os países europeus vivem uma espécie de orfandade em relação aos EUA. A política externa de Trump contraria completamente as expectativas do componente europeu da Otan”, afirmou.
Segundo o militar, há a percepção de que a Otan existe para proteger a Europa de ameaças externas, mas, na prática, a aliança serviria a outros interesses. “A organização representa, pelos fatos, os interesses estratégicos e geopolíticos norte-americanos e funciona como justificativa para a presença dos EUA na Europa, especialmente pelas bases militares e pelas cerca de 250 armas nucleares posicionadas no continente”, disse.
Agostinho Costa classificou como “patológica” a submissão europeia aos Estados Unidos e avaliou que o aumento dos gastos com defesa, impulsionado por Trump, resultou na transferência de recursos para a indústria bélica norte-americana. “Trata-se, fundamentalmente, de um negócio que obrigou a Europa a direcionar seus orçamentos de defesa para a indústria militar dos EUA, já que a indústria europeia não está suficientemente desenvolvida para suprir essa demanda”, concluiu.
Por Paraíba Master