Áudios citam Lucas Ribeiro em conversa sobre indicação de delegado investigado na Operação Perfidus
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Áudios atribuídos ao policial civil Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido como “Bomba”, mencionam o nome do governador da Paraíba, Lucas Ribeiro (PP), em uma conversa sobre uma possível indicação para o comando da Polícia Civil do Estado. O conteúdo veio à tona no contexto das investigações da Operação Perfidus, que apura um suposto esquema envolvendo tráfico de drogas, desvio de entorpecentes, corrupção e vazamento de informações sigilosas.
De acordo com o áudio divulgado no contexto da investigação, Aires afirma que teria procurado Lucas Ribeiro, à época vice-governador, para apresentar o currículo de um delegado com o objetivo de viabilizar sua nomeação para o cargo de superintendente da Polícia Civil. A identidade do delegado não é mencionada diretamente no trecho, mas a suspeita é de que se tratasse de Braz Morroni, que posteriormente foi preso na Operação Perfidus.
Na gravação, “Bomba” afirma que a eventual nomeação permitiria ao grupo obter informações privilegiadas e interferir na atuação da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco).
“Nestas últimas semanas, a gente pegou o currículo do delegado da gente e levou para Lucas, né, que vai assumir o governo do Estado. Que a gente está vendo se ele consegue emplacar para ser superintendente. Porque, ele sendo superintendente, a gente consegue ter mais acesso, entendesse, controle de informação e consegue desmanchar essa porra dessa Draco”, diz o policial no áudio.
O conteúdo, contudo, não comprova que Lucas Ribeiro tenha concordado com a indicação ou que tivesse conhecimento sobre eventual intenção criminosa por trás do pedido.
Operação Perfidus
A Operação Perfidus foi deflagrada em junho deste ano pela Polícia Civil da Paraíba e pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB). A investigação alcançou o delegado Braz Morroni e os agentes Everton Aires, o “Bomba”, e Eduardo Jorge Ferreira do Egito, conhecido como “Mão Branca”.
Segundo informações divulgadas durante a investigação, os agentes são suspeitos de utilizar a estrutura da Polícia Civil para desviar drogas apreendidas e manter contato com integrantes de grupos criminosos. A operação também apura o vazamento de informações sigilosas e outras possíveis irregularidades.
Em julho, a Justiça prorrogou por mais 30 dias as prisões temporárias de Braz Morroni, Everton Aires e Eduardo Jorge, entre outros investigados. A decisão apontou a necessidade de aprofundar a análise de celulares, computadores e demais materiais apreendidos durante a operação.
Posteriormente, o Ministério Público da Paraíba ofereceu denúncia contra Braz Morroni, Everton Aires e Eduardo Jorge por crimes relacionados a tráfico de drogas e associação para o tráfico. Segundo o Gaeco, os agentes públicos teriam utilizado viaturas, distintivos, informações privilegiadas e a estrutura estatal para favorecer o esquema investigado.
O Portal Paraíba Master entrou em contato com a assessoria do governador Lucas Ribeiro para solicitar um posicionamento sobre o conteúdo dos áudios e as menções ao nome do candidato. Até o fechamento desta matéria, a assessoria não havia respondido aos questionamentos.
O portal Paraíba Master