30 de setembro de 2026
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Base governista reage com indignação à derrubada do veto de Lula e critica “manobra” de Alcolumbre

 Base governista reage com indignação à derrubada do veto de Lula e critica “manobra” de Alcolumbre

Foto: Reprodução

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A derrubada do veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Projeto de Lei da Dosimetria, em votação no Congresso Nacional nesta quinta-feira (30), provocou forte reação da base aliada. Líderes do governo classificaram o resultado como um “grave retrocesso democrático” e atribuíram a derrota a uma articulação considerada ilegítima por parte da oposição e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). A votação, que contou com 318 votos a favor da derrubada na Câmara e 49 no Senado, ocorreu apenas um dia após outra derrota significativa para o Planalto – a rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF).

Em nota oficial, o Partido dos Trabalhadores (PT) afirmou que a decisão do Legislativo “ignora a gravidade da tentativa de ruptura institucional” de 8 de janeiro de 2023 e “relativiza a própria Constituição”. A legenda destacou que o veto derrubado abria margem para a redução de penas de condenados pelos atos golpistas, o que, na visão da legenda, representa um perigoso precedente. “O Congresso escolheu caminho oposto à defesa da democracia”, diz trecho da nota, que também cobrava uma postura mais firme das instituições.

A ex-ministra das Relações Institucionais e atual deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) foi ainda mais incisiva. Em discurso nas redes sociais e em entrevistas, ela acusou Davi Alcolumbre de conduzir uma “manobra regimental” para acelerar a votação e construir maioria contra o governo. “O que vimos foi um acochambramento regimental, um atropelo do rito para favorecer interesses escusos”, disparou Gleisi, usando um termo pejorativo para criticar aquilo que chamou de “declaração de guerra” do Parlamento ao Planalto.

Nos bastidores, a reação inicial foi de perplexidade. Segundo relatos de auxiliares palacianos, Lula recebeu a notícia “muito chateado”, mas orientou imediatamente que os aliados evitassem reações explosivas que pudessem ampliar o desgaste com o Legislativo. A orientação foi de serenidade e moderação pública, ainda que nos corredores do Planalto o diagnóstico fosse de um governo “nocauteado” e politicamente enfraquecido. A avaliação interna é que a derrota expôs a fragilidade da articulação governista mesmo entre partidos formalmente aliados.

Analistas políticos ouvidos pela reportagem destacam que a derrubada do veto insere-se em um movimento mais amplo de reconfiguração de forças no Congresso. Com um Centrão fortalecido e uma oposição mais agressiva, o governo Lula vê reduzida sua capacidade de pautar temas sensíveis. “Não se trata apenas de uma derrota pontual. É um sinal de que o Planalto perdeu o controle da agenda e depende cada vez mais de concessões para aprovar projetos de seu interesse”, avaliou um cientista político sob condição de anonimato.

Diante do cenário, a base governista tenta agora reorganizar a estratégia para as próximas semanas. Líderes do PT já sinalizam que irão recorrer aos mecanismos de controle de constitucionalidade do Supremo para tentar reverter os efeitos da derrubada, enquanto setores mais radicais do governo defendem uma resposta institucional mais dura, com eventual exoneração de “traidores” que votaram contra o veto. Por ora, o tom é de cautela pública, mas a crise escancarou a dificuldade de Lula em manter unido um espectro político cada vez mais fragmentado

Por Paraíba Master

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