1 de outubro de 2026
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Brasil e Indonésia firmam acordos e reforçam parceria estratégica durante visita de Lula a Jacarta

 Brasil e Indonésia firmam acordos e reforçam parceria estratégica durante visita de Lula a Jacarta

Foto: Reprodução

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Presidente Lula confirma candidatura à reeleição em 2026 e defende uso de moedas locais no comércio bilateral

Durante visita oficial a Jacarta nesta quinta-feira (23), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Indonésia, Prabowo Subianto, assinaram uma série de memorandos e acordos de cooperação em áreas como agricultura, energia, comércio, educação, defesa, ciência e tecnologia. O encontro reforçou o compromisso dos dois países em ampliar a parceria econômica e política, com destaque para a convergência de posições em temas internacionais.

Visão comum sobre Gaza, ONU e Brics

Em declaração conjunta, Lula e Prabowo destacaram que Brasil e Indonésia compartilham visões semelhantes sobre conflitos globais e a necessidade de reformar o Conselho de Segurança da ONU. Ambos condenaram o que chamaram de “genocídio em Gaza” e defenderam a solução de dois Estados como caminho para a paz no Oriente Médio.

Os líderes também ressaltaram o papel crescente do Brics na defesa dos interesses do chamado Sul Global. “Sabemos que não há desenvolvimento sustentável sem enfrentar a fome e a pobreza”, disse Lula, lembrando que a Indonésia apoiou desde o início a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, lançada durante a presidência brasileira do G20.

Comércio em expansão, mas abaixo do potencial

Lula destacou o avanço das trocas comerciais nas últimas décadas, que saltaram de US$ 2 bilhões para US$ 6,5 bilhões. Ainda assim, considerou o volume “insuficiente” diante do potencial dos dois mercados, que juntos somam quase 500 milhões de habitantes.

“É pouco para economias do nosso porte. Vamos trabalhar para que Brasil e Indonésia se tornem parceiros estratégicos na nova geografia econômica global”, afirmou o presidente brasileiro.

Conforme o Palácio do Planalto, a Indonésia foi o quinto maior destino das exportações do agronegócio brasileiro em 2024. Já Prabowo estimou que o comércio bilateral pode alcançar US$ 20 bilhões nos próximos anos e anunciou que o português será incluído entre as línguas prioritárias no sistema educacional indonésio.

Multilateralismo e moedas locais

Em tom crítico ao protecionismo e à polarização global, Lula defendeu um comércio internacional “democrático e equilibrado”. Ele propôs que as transações entre Brasil e Indonésia possam ser feitas nas moedas locais, reduzindo a dependência do dólar.

“O século XXI exige coragem para mudar as formas de agir. Queremos multilateralismo, não unilateralismo; democracia comercial, não protecionismo”, afirmou.

Cooperação em defesa, energia e mineração

Os dois presidentes também destacaram oportunidades na área de defesa, especialmente na indústria militar e na Força Aérea indonésia. No setor energético, discutiram o aproveitamento conjunto de minerais críticos, essenciais para a transição energética global.

“O Brasil possui sólida base industrial militar e está disposto a cooperar com as necessidades estratégicas da Indonésia”, disse Lula, acrescentando que o memorando entre os ministérios de Minas e Energia reforça a parceria no campo da mineração.

Lula confirma candidatura à reeleição

Durante o discurso, Lula confirmou que disputará um quarto mandato presidencial em 2026. Ele afirmou que pretende fortalecer ainda mais os laços entre os dois países, caso seja reeleito.

“Vou disputar um quarto mandato no Brasil. Digo isso porque ainda vamos nos encontrar muitas vezes. Quero que a relação entre Indonésia e Brasil se torne cada vez mais sólida e valiosa”, declarou o presidente.

Contexto geopolítico

O encontro reforçou a aproximação entre duas das maiores economias do hemisfério sul, ambas integrantes do G20 e do Brics. A visita ocorre em um momento de realinhamento global, no qual Brasil e Indonésia buscam ampliar sua influência e consolidar um papel mais ativo na defesa dos interesses do Sul Global.

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