30 de setembro de 2026
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Brasil e Senegal estudam reduzir tempo de voos e ampliar conexões aéreas entre América do Sul e África Ocidental

 Brasil e Senegal estudam reduzir tempo de voos e ampliar conexões aéreas entre América do Sul e África Ocidental

Foto: Reprodução

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O governo brasileiro está trabalhando para facilitar e encurtar as viagens aéreas entre o Brasil e o Senegal, com o objetivo de fortalecer o comércio, o turismo e a cooperação entre os dois países. A informação foi confirmada pela embaixadora brasileira em Dacar, Daniella Xavier, durante participação no Fórum Internacional de Dacar sobre Paz e Segurança na África.

Atualmente, não existem voos diretos entre os dois países, o que obriga passageiros a realizarem conexões em aeroportos distantes, como os de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, ou grandes hubs europeus e africanos. Essas escalas acabam tornando o trajeto significativamente mais longo e oneroso.

Em linha reta, a distância entre Natal (RN) e o Senegal é de cerca de 2,9 mil quilômetros. Já rotas alternativas podem praticamente triplicar esse percurso, dependendo das conexões escolhidas.

Segundo a diplomata, há um esforço conjunto para viabilizar novas parcerias entre companhias aéreas brasileiras e a Air Senegal, além de empresas de outros países como Marrocos, Etiópia e Turquia. A ideia é ampliar acordos de codeshare, nos quais companhias compartilham voos e vendas de passagens, facilitando a integração das malhas aéreas.

Para a embaixadora, a ausência de conexões diretas cria um impasse: o fluxo de passageiros e mercadorias é baixo por falta de rotas, e, ao mesmo tempo, as rotas não se consolidam por falta de demanda. Ela defende que a ampliação da conectividade pode impulsionar tanto o turismo quanto o comércio entre a América Latina, o Caribe e a África Ocidental.

As relações entre Brasil e Senegal, segundo o Itamaraty, são historicamente próximas e datam da década de 1960, período em que ambos os países estabeleceram suas embaixadas. Hoje, o Senegal mantém sua única representação diplomática na América do Sul em Brasília.

No campo econômico, o comércio bilateral atingiu cerca de US$ 386 milhões em 2025, com forte superávit para o Brasil. Apesar disso, a embaixadora avalia que ainda há espaço para diversificação das exportações senegalesas, especialmente em setores como produtos agrícolas, têxteis e artesanato.

Entre os projetos em andamento, destaca-se a instalação de uma unidade de genética agrícola no Senegal, liderada por uma empresa brasileira em parceria com investidores locais. O empreendimento prevê produção de aves reprodutoras e ovos, além de transferência de tecnologia, com potencial impacto na autossuficiência alimentar do país africano.

As autoridades dos dois países também reforçam o alinhamento político em fóruns multilaterais, incluindo a defesa de reformas em organismos internacionais como o Conselho de Segurança da ONU. Brasil e Senegal compartilham posições semelhantes em temas como diplomacia, paz e segurança internacional.

Durante o mesmo evento em Dacar, a embaixadora senegalesa no Brasil, Marie Gnama Bassene, destacou a convergência histórica entre os dois países e afirmou que ambos mantêm forte compromisso com o multilateralismo e a resolução pacífica de conflitos.

O Senegal também se prepara para assumir a presidência da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao) entre 2026 e 2030, enquanto o Brasil recentemente assumiu a liderança da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas), reforçando a aproximação entre as regiões.

Por Paraíba Master

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