2 de outubro de 2026
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Brasil entra no clima do Oscar e mobiliza torcidas para acompanhar disputa de “O Agente Secreto

 Brasil entra no clima do Oscar e mobiliza torcidas para acompanhar disputa de “O Agente Secreto

Foto: Reprodução

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A poucos dias da cerimônia do Oscar, o Brasil vive um raro momento de mobilização coletiva em torno do cinema. Assim como em finais de grandes eventos esportivos, bares, salas de cinema e cineclubes em diferentes cidades organizam transmissões da premiação, além de bolões e quizzes para acompanhar a 98ª edição da principal festa do audiovisual mundial, marcada para este domingo (15).

Se em Hollywood o Oscar costuma ser encarado como resultado de longas campanhas de estúdio e estratégias de marketing, no Brasil a disputa ganhou contornos mais espontâneos. Nas redes sociais, memes, correntes de torcida e debates sobre os indicados dominam o clima da temporada.

O entusiasmo nacional se concentra especialmente em “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura. O longa chega à cerimônia com indicações a Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Ator.

Os números ajudam a explicar o tamanho da expectativa. De acordo com dados da plataforma especializada FILME B, a produção brasileira já vendeu mais de 2,4 milhões de ingressos e arrecadou mais de R$ 50 milhões no país. Entre todos os indicados à principal categoria da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, o filme também é o de menor orçamento.

Sessões coletivas e clima de final

A cerimônia será acompanhada coletivamente em diversos espaços culturais. No Rio de Janeiro, o produtor e exibidor Cavi Borges, ligado ao Grupo Estação e à Cavideo, prepara mais uma edição da tradicional transmissão pública do Oscar.

O evento começou de forma improvisada há mais de duas décadas, quando Borges organizou uma pequena reunião de cinéfilos para assistir à premiação.

Nos últimos anos, porém, a iniciativa ganhou grande proporção. Em 2025, quando o Brasil conquistou o Oscar de Melhor Filme Internacional com “Ainda Estou Aqui”, quase duas mil pessoas participaram da transmissão, distribuídas em várias salas e também em um telão no saguão do cinema.

Para a edição de 2026, a programação inclui bolões de apostas, quiz sobre cinema, concurso de sósias de Wagner Moura e transmissão simultânea nas salas do Estação Net Rio e do Estação Net Botafogo.

Efeito no público

Segundo Borges, o sucesso recente de produções brasileiras tem levado novos espectadores às salas de cinema.

Muitas pessoas que costumavam frequentar apenas sessões de grandes produções comerciais passaram a buscar filmes nacionais exibidos em circuitos alternativos. Ao entrar em contato com esses espaços, acabam descobrindo uma diversidade maior de obras.

Apesar de o país produzir cerca de 300 longas-metragens por ano, apenas uma pequena parcela consegue alcançar o grande público.

Um fenômeno raro

Dirigido por Kleber Mendonça Filho, “O Agente Secreto” tornou-se um caso incomum no cinema brasileiro contemporâneo: uma obra autoral que conquistou grande público sem abrir mão de sua identidade estética.

Com mais de 2,4 milhões de espectadores, o longa é atualmente o filme mais assistido no Brasil entre todos os indicados ao Oscar deste ano.

Nas redes sociais, o diretor tem comentado a repercussão do filme com entusiasmo, mas também com cautela. Ele agradeceu recentemente a mobilização do público brasileiro e destacou a importância das políticas públicas de incentivo ao audiovisual para que projetos como o seu consigam existir.

Para o cineasta, a presença do filme na premiação também representa uma forma de projeção cultural do país no cenário internacional.

Categoria inédita

Entre as disputas da noite, especialistas apontam uma em que o Brasil aparece particularmente competitivo: a nova categoria de Melhor Direção de Elenco, criada pela Academia em 2024 e apresentada pela primeira vez nesta edição do Oscar.

O brasileiro Gabriel Domingues foi indicado pelo trabalho de seleção de mais de 60 atores para “O Agente Secreto”, combinando nomes consagrados com novos talentos.

Concorrência forte

Apesar da empolgação no Brasil, analistas internacionais consideram a corrida aberta. Parte da imprensa especializada dos Estados Unidos aponta “Pecadores”, dirigido por Ryan Coogler, como um dos possíveis vencedores da noite.

Publicações ligadas ao cinema independente, por outro lado, têm demonstrado maior entusiasmo pelo filme brasileiro. O site IndieWire, por exemplo, colocou “O Agente Secreto” no topo de sua lista de favoritos entre os indicados a Melhor Filme.

Na categoria de atuação masculina, Wagner Moura disputa espaço com nomes fortes da temporada. Entre os cotados estão Timothée Chalamet, vencedor do Globo de Ouro, e Michael B. Jordan.

Também há expectativas em torno de atores veteranos que ainda não conquistaram a estatueta, como Ethan Hawke.

Expectativa nacional

Enquanto previsões internacionais mantêm cautela sobre o resultado final, no Brasil o clima é de torcida aberta.

Portais de cultura, canais especializados, podcasts e perfis dedicados ao cinema acompanham intensamente cada etapa da temporada de premiações — um interesse que reflete o momento particular vivido pelo audiovisual brasileiro.

Mais do que uma disputa por estatuetas, a presença de “O Agente Secreto” no Oscar reacende a sensação de que o cinema nacional voltou a ocupar um espaço relevante na conversa cultural global.

Por Paraíba Master

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