30 de setembro de 2026
Abrir Player em Nova Janela

Coligação denuncia suposto esquema de monitoramento de votos pela campanha de Lucas Ribeiro

 Coligação denuncia suposto esquema de monitoramento de votos pela campanha de Lucas Ribeiro
#Compartilhe

A Coordenação Jurídica da Coligação “Juntos para a Paraíba Dar o Próximo Passo” protocolou, nesta terça-feira (29), no Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB), uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) contra a campanha do governador Lucas Ribeiro, que disputa a reeleição. A ação também apresenta representação por captação ilícita de sufrágio e conduta vedada.

A denúncia aponta a existência de uma plataforma digital denominada “Visitas Qualificadas 2026”, que, segundo a coligação, teria sido utilizada para monitorar a intenção de voto de eleitores e registrar demandas pessoais durante abordagens realizadas em diferentes municípios da Paraíba.

De acordo com a petição, o sistema VQ2026 teria registrado a intenção de voto dos moradores antes e depois da abordagem dos cadastradores, além de reunir informações sobre necessidades individuais, como consultas médicas, cirurgias, cestas básicas e serviços de infraestrutura.

Ainda segundo a denúncia, a plataforma também permitiria organizar pedidos de materiais e programar novas visitas aos eleitores. O sistema estaria hospedado no domínio qualificada83.com.br.

A coligação afirma que a estrutura estava organizada em 17 grupos territoriais, abrangendo João Pessoa, Bayeux, Cabedelo e Santa Rita. Em cinco dias de monitoramento, entre 30 de agosto e 3 de setembro de 2026, teriam sido registradas 8.526 visitas, 1.721 demandas de cidadãos e aproximadamente 7 mil pontos destinados a revisitas.

Outro ponto apresentado na ação é o suposto envolvimento de servidores públicos estaduais. Segundo levantamento realizado pela coligação a partir do cruzamento dos dados da plataforma com informações do Portal da Transparência, pelo menos 276 colaboradores cadastrados seriam servidores estaduais, correspondendo a 21,4% da base ativa identificada.

A denúncia afirma que parte desses servidores estaria vinculada a órgãos como as Secretarias de Estado da Educação e do Desenvolvimento Humano. Para a coligação, a participação de servidores em atividades relacionadas à campanha durante o expediente poderia caracterizar utilização da estrutura administrativa para fins eleitorais.

A AIJE cita como fundamentos o artigo 41-A da Lei das Eleições, que trata da captação ilícita de sufrágio; o artigo 22 da Lei Complementar nº 64/1990, referente ao abuso de poder político e econômico; e o artigo 73, inciso III, da Lei nº 9.504/1997, que estabelece restrições ao uso de servidores públicos em atividades de campanha durante o horário de expediente.

Entre os pedidos feitos ao TRE-PB está a preservação de provas digitais relacionadas à plataforma, incluindo informações armazenadas em servidores e serviços de nuvem. A coligação também solicita imagens de câmeras de segurança públicas e o compartilhamento de procedimentos relacionados que estejam em tramitação no Ministério Público Eleitoral.

Ao final, a coligação pede que, caso as irregularidades sejam comprovadas pela Justiça Eleitoral, sejam aplicadas as sanções previstas na legislação, incluindo cassação de registros ou diplomas, multas e declaração de inelegibilidade pelo prazo de oito anos.

A denúncia contra a campanha de Lucas Ribeiro foi apresentada à imprensa paraibana nesta terça-feira, durante entrevista da coordenação da campanha na sede do MDB estadual, em João Pessoa.

As acusações apresentadas na ação ainda serão analisadas pela Justiça Eleitoral e não representam, neste momento, uma conclusão definitiva sobre a ocorrência das irregularidades apontadas.

Por Paraíba Master

Relacionados