Coligação denuncia suposto esquema de monitoramento de votos pela campanha de Lucas Ribeiro
A Coordenação Jurídica da Coligação “Juntos para a Paraíba Dar o Próximo Passo” protocolou, nesta terça-feira (29), no Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB), uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) contra a campanha do governador Lucas Ribeiro, que disputa a reeleição. A ação também apresenta representação por captação ilícita de sufrágio e conduta vedada.
A denúncia aponta a existência de uma plataforma digital denominada “Visitas Qualificadas 2026”, que, segundo a coligação, teria sido utilizada para monitorar a intenção de voto de eleitores e registrar demandas pessoais durante abordagens realizadas em diferentes municípios da Paraíba.
De acordo com a petição, o sistema VQ2026 teria registrado a intenção de voto dos moradores antes e depois da abordagem dos cadastradores, além de reunir informações sobre necessidades individuais, como consultas médicas, cirurgias, cestas básicas e serviços de infraestrutura.
Ainda segundo a denúncia, a plataforma também permitiria organizar pedidos de materiais e programar novas visitas aos eleitores. O sistema estaria hospedado no domínio qualificada83.com.br.
A coligação afirma que a estrutura estava organizada em 17 grupos territoriais, abrangendo João Pessoa, Bayeux, Cabedelo e Santa Rita. Em cinco dias de monitoramento, entre 30 de agosto e 3 de setembro de 2026, teriam sido registradas 8.526 visitas, 1.721 demandas de cidadãos e aproximadamente 7 mil pontos destinados a revisitas.
Outro ponto apresentado na ação é o suposto envolvimento de servidores públicos estaduais. Segundo levantamento realizado pela coligação a partir do cruzamento dos dados da plataforma com informações do Portal da Transparência, pelo menos 276 colaboradores cadastrados seriam servidores estaduais, correspondendo a 21,4% da base ativa identificada.
A denúncia afirma que parte desses servidores estaria vinculada a órgãos como as Secretarias de Estado da Educação e do Desenvolvimento Humano. Para a coligação, a participação de servidores em atividades relacionadas à campanha durante o expediente poderia caracterizar utilização da estrutura administrativa para fins eleitorais.
A AIJE cita como fundamentos o artigo 41-A da Lei das Eleições, que trata da captação ilícita de sufrágio; o artigo 22 da Lei Complementar nº 64/1990, referente ao abuso de poder político e econômico; e o artigo 73, inciso III, da Lei nº 9.504/1997, que estabelece restrições ao uso de servidores públicos em atividades de campanha durante o horário de expediente.
Entre os pedidos feitos ao TRE-PB está a preservação de provas digitais relacionadas à plataforma, incluindo informações armazenadas em servidores e serviços de nuvem. A coligação também solicita imagens de câmeras de segurança públicas e o compartilhamento de procedimentos relacionados que estejam em tramitação no Ministério Público Eleitoral.
Ao final, a coligação pede que, caso as irregularidades sejam comprovadas pela Justiça Eleitoral, sejam aplicadas as sanções previstas na legislação, incluindo cassação de registros ou diplomas, multas e declaração de inelegibilidade pelo prazo de oito anos.
A denúncia contra a campanha de Lucas Ribeiro foi apresentada à imprensa paraibana nesta terça-feira, durante entrevista da coordenação da campanha na sede do MDB estadual, em João Pessoa.
As acusações apresentadas na ação ainda serão analisadas pela Justiça Eleitoral e não representam, neste momento, uma conclusão definitiva sobre a ocorrência das irregularidades apontadas.
Por Paraíba Master




























