Comissão aprova relatório e conclui que JK foi assassinado pela ditadura militar
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A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) aprovou, nesta sexta-feira (29), um relatório que conclui que o ex-presidente Juscelino Kubitschek, conhecido como JK, foi assassinado pela ditadura militar em 1976. A decisão representa uma reviravolta em uma das maiores controvérsias da história política brasileira e ocorre no ano em que se completam 50 anos da morte do ex-presidente.
O documento, elaborado pela historiadora Maria Cecília Adão e aprovado por seis votos favoráveis e uma abstenção, contesta a versão oficial sustentada durante décadas de que JK morreu em um acidente automobilístico na Via Dutra, em 22 de agosto de 1976. Segundo o relatório, o ex-presidente teria sido vítima de uma ação da repressão política do regime militar.
De acordo com a comissão, não há evidências de que o Opala em que JK viajava tenha sido atingido por um ônibus da Viação Cometa, tese que embasou as investigações realizadas durante a ditadura e que posteriormente foi ratificada por uma comissão da Câmara dos Deputados, em 2001, e pela Comissão Nacional da Verdade, em 2014.
O relatório aponta indícios de que o veículo perdeu o controle por uma ação externa ainda não completamente esclarecida. Entre as hipóteses levantadas ao longo dos anos estão sabotagem mecânica, disparo contra o motorista ou até envenenamento. O motorista e amigo de JK, Geraldo Ribeiro, também morreu no episódio.
A nova conclusão se baseia em um extenso conjunto de documentos e análises reunidos em mais de 5 mil páginas. O caso foi reaberto com o objetivo de promover o esclarecimento da verdade histórica sobre a morte do ex-presidente, que era uma das principais lideranças de oposição ao regime militar e integrava a Frente Ampla, movimento que defendia a redemocratização do país.
Com a aprovação do parecer, a comissão poderá recomendar a retificação da certidão de óbito de JK, reconhecendo oficialmente que sua morte foi resultado de perseguição política promovida pelo Estado brasileiro durante a ditadura.
Por Paraíba Master