30 de setembro de 2026
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Crise no Estreito de Ormuz ameaça abastecimento de fertilizantes e pode elevar custos da produção agrícola no Brasil

 Crise no Estreito de Ormuz ameaça abastecimento de fertilizantes e pode elevar custos da produção agrícola no Brasil

Foto: Reprodução

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O agravamento das tensões no Estreito de Ormuz acendeu um alerta no mercado global de fertilizantes e já começa a gerar preocupações para o setor agrícola brasileiro. Dependente de importações para cerca de 70% dos fertilizantes utilizados nas lavouras, o Brasil pode enfrentar dificuldades no abastecimento caso as restrições nas rotas marítimas da região se mantenham.

De acordo com a analista de Agro Fernanda Pressinott, a crise afeta principalmente dois insumos essenciais para a produção nacional: os fertilizantes nitrogenados e o enxofre, utilizado na fabricação de produtos fosfatados.

Segundo a especialista, parte significativa desses insumos tem origem em países próximos ao Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo e matérias-primas do mundo. O Brasil depende da região para aproximadamente 80% dos fertilizantes nitrogenados importados e para cerca de 45% do enxofre utilizado pela indústria de fosfatados.

Empresas reduzem atividades diante da falta de insumos

A dificuldade de acesso às matérias-primas já provoca reflexos entre empresas brasileiras que importam os componentes e realizam a formulação dos fertilizantes destinados ao campo. Algumas unidades chegaram a interromper ou reduzir operações devido à falta de produtos disponíveis.

Embora o país tenha capacidade para realizar a mistura dos fertilizantes, a maior parte dos insumos básicos ainda precisa ser adquirida no exterior, o que aumenta a vulnerabilidade do setor diante de crises internacionais.

Desde o início do conflito, os preços dos fertilizantes registraram alta expressiva, chegando a subir cerca de 200%. Apesar de recuos pontuais em períodos de menor tensão, os valores continuam acima dos níveis considerados normais pelo mercado.

Oferta de enxofre enfrenta pressão adicional

Além dos impactos provocados pelo cenário geopolítico, o mercado de enxofre enfrenta desafios estruturais. O insumo é obtido principalmente como subproduto do refino de petróleo, atividade que vem passando por mudanças com a transição energética global.

A redução do uso de combustíveis fósseis diminui a disponibilidade de enxofre no mercado, enquanto a expansão da produção de baterias para veículos elétricos aumenta a disputa por matérias-primas estratégicas.

Outro fator apontado por especialistas é a menor emissão de compostos de enxofre na atmosfera, resultado de políticas ambientais mais rigorosas. No passado, parte desse material retornava ao solo e contribuía para a reposição do nutriente em algumas áreas agrícolas.

Alta dos custos pode chegar ao consumidor

O impacto da crise dos fertilizantes deve ser sentido ao longo da cadeia produtiva. Com custos maiores e possibilidade de menor aplicação de nutrientes nas lavouras, produtores podem enfrentar redução de produtividade na próxima safra.

A consequência tende a aparecer nos preços dos alimentos, já que uma menor oferta agrícola combinada a custos elevados de produção pode pressionar o valor final dos produtos ao consumidor.

Para o setor, o cenário reforça a necessidade de ampliar alternativas de fornecimento e reduzir a dependência externa de insumos considerados estratégicos para a agricultura brasileira.

Por Paraíba Master

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