Eleições 2026: veja seis pontos que podem ajudar na escolha dos candidatos
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Com a aproximação do primeiro turno das Eleições 2026, marcado para 4 de outubro, eleitores de todo o país se preparam para escolher representantes para diferentes cargos. Diante do grande número de candidaturas e da quantidade de informações que circulam durante o período eleitoral, definir em quem votar pode exigir atenção e pesquisa.
Especialistas apontam alguns critérios que podem ajudar o eleitor a analisar candidatos de forma mais consciente. Entre eles estão conhecer as atribuições de cada cargo, verificar propostas, histórico político, financiamento de campanha e posicionamento partidário.
1. Entenda quais são suas prioridades
Antes de analisar os candidatos, o eleitor pode começar identificando quais temas considera mais importantes e quais problemas gostaria que fossem tratados pelo poder público.
Questões econômicas, sociais e ideológicas podem influenciar a forma como cada pessoa avalia uma proposta. Trabalhadores, empresários, autônomos e outros grupos podem ter interesses diferentes diante de determinadas medidas.
Outro ponto destacado por especialistas é a representatividade. Embora as mulheres correspondam a 53% do eleitorado brasileiro, elas ocupavam, na legislatura mencionada na matéria, 15 das 81 cadeiras do Senado e 91 das 513 vagas da Câmara dos Deputados.
Para o professor de Ciência Política da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), João Feres Júnior, identificar os próprios interesses é importante para que o eleitor consiga avaliar quais candidaturas estão mais próximas de suas prioridades.
2. Saiba o que cada cargo pode fazer
Conhecer as atribuições do cargo em disputa é uma das formas de evitar falsas expectativas e promessas que não dependem daquele político.
Um candidato ao Legislativo, por exemplo, não possui as mesmas responsabilidades de um integrante do Poder Executivo. Deputados e senadores participam da elaboração das leis, fiscalizam o Executivo e atuam na definição do orçamento, mas não executam diretamente obras e serviços públicos.
Presidente da República
Entre as funções do presidente estão comandar o Poder Executivo federal, nomear ministros, comandar as Forças Armadas, encaminhar propostas orçamentárias ao Congresso, sancionar ou vetar projetos aprovados pelos parlamentares e conduzir relações internacionais.
Governadores
Os governadores administram os estados e têm responsabilidades como nomear secretários, sancionar ou vetar leis estaduais e comandar áreas como segurança pública, educação e saúde estaduais, além da infraestrutura sob responsabilidade dos governos estaduais.
Deputados
Deputados federais atuam na Câmara dos Deputados, enquanto deputados estaduais trabalham nas Assembleias Legislativas. No Distrito Federal, a função é exercida pelos deputados distritais.
Entre suas atribuições estão elaborar e votar leis, fiscalizar o Executivo e participar das decisões relacionadas ao orçamento público, inclusive por meio de emendas parlamentares.
Senadores
Os senadores representam seus respectivos estados no Congresso Nacional. Eles participam da elaboração e votação de leis, além de exercerem atribuições específicas, como analisar indicações para determinados cargos públicos e julgar autoridades em situações previstas na Constituição.
3. Analise o histórico e as propostas
Além das promessas de campanha, é importante observar o histórico dos candidatos, suas trajetórias políticas, os projetos apresentados e, no caso de quem já ocupa cargo público, como atuou em votações e decisões relevantes.
Também podem ser analisados os grupos que apoiam e financiam cada candidatura. Informações sobre patrimônio, propostas de governo, receitas e despesas eleitorais e doadores podem ser consultadas nas plataformas oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A análise pode ajudar o eleitor a identificar se as propostas apresentadas são detalhadas e viáveis ou se permanecem apenas em declarações genéricas.
Para o professor de Ciência Política da Universidade Federal do Ceará (UFC), Francisco Uribam Xavier de Holanda, acompanhar essas informações pode ser difícil para parte do eleitorado devido à complexidade dos mecanismos de financiamento e funcionamento das campanhas.
4. Observe o partido do candidato
O comportamento de um político também pode ser influenciado pelo partido ao qual pertence. Por isso, além de analisar individualmente o candidato, o eleitor pode verificar o programa e o histórico da legenda.
No Legislativo, partidos e blocos podem orientar suas bancadas durante determinadas votações. Dessa forma, conhecer o posicionamento partidário ajuda a compreender quais pautas e alianças podem fazer parte da atuação do parlamentar caso seja eleito.
A cientista política Naiara Sandi de Almeida Alcantara, da Universidade Federal do Pará (UFPA), destaca a importância de observar o histórico de votações, as pautas defendidas pela legenda, sua orientação ideológica e as alianças estabelecidas com outras siglas.
5. Fique atento aos chamados “puxadores de voto”
Nas eleições proporcionais, utilizadas para escolher deputados federais, estaduais e distritais, além de vereadores nas eleições municipais, a distribuição das cadeiras considera a votação obtida pelos partidos e federações.
Isso significa que uma candidatura com votação expressiva pode contribuir para que outros integrantes da mesma legenda ou federação também conquistem uma vaga.
O fenômeno ficou conhecido nacionalmente como “Efeito Tiririca”, depois que o humorista Francisco Everardo Oliveira Silva, o Tiririca, recebeu mais de 1,35 milhão de votos para deputado federal em 2010 e ajudou a eleger outros candidatos de sua legenda.
A legislação eleitoral passou por mudanças para estabelecer critérios adicionais para a ocupação das vagas, incluindo exigências de votação mínima individual.
Por isso, especialistas recomendam que o eleitor conheça também os demais nomes que concorrem pela mesma legenda antes de escolher um candidato.
6. Prepare-se para o dia da votação
O primeiro turno das Eleições 2026 está marcado para 4 de outubro. Segundo os dados apresentados na matéria, aproximadamente 158,7 milhões de eleitores estão aptos a participar da votação.
Para evitar esquecer nomes ou números, o eleitor pode levar uma anotação em papel com as informações das candidaturas escolhidas.
O celular, porém, não pode ser utilizado dentro da cabine de votação. Equipamentos que permitam fotografar ou filmar o voto também são proibidos no local. Caso seja necessário, o aparelho deve ser deixado com os mesários.
A restrição busca preservar o sigilo do voto e impedir que imagens sejam utilizadas como forma de comprovação da escolha do eleitor.
No dia da eleição, é permitida a manifestação individual e silenciosa de preferência política, por meio de itens como broches, adesivos, camisetas e bandeiras. Já manifestações coletivas ou ruidosas, além de abordagens e tentativas de convencer outros eleitores, são proibidas.
O eleitor também tem direito de se ausentar do trabalho pelo período necessário para votar, sem prejuízo da remuneração. Pessoas com mais de 80 anos têm preferência na fila, enquanto eleitores com deficiência ou mobilidade reduzida podem contar com o auxílio de uma pessoa de sua escolha durante a votação.
Por Paraíba Master