1 de outubro de 2026
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Exposição em São Paulo propõe novo olhar sobre o sertão como território simbólico e de resistência

 Exposição em São Paulo propõe novo olhar sobre o sertão como território simbólico e de resistência

Foto: Reprodução

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Uma nova exposição aberta ao público nesta quarta-feira (15), em São Paulo, convida a repensar o significado do sertão para além da visão tradicional ligada ao clima árido e às dificuldades do interior nordestino. Intitulada “Atlântico Sertão”, a mostra apresenta o conceito como uma construção simbólica e cultural, distante de uma definição geográfica oficial.

Embora amplamente presente no imaginário brasileiro, o sertão não é reconhecido formalmente por instituições como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A proposta da exposição é justamente ampliar esse entendimento, tratando o termo como uma experiência humana, marcada por resistência, identidade e luta por direitos.

Inspirada na célebre frase de João Guimarães Rosa — “O sertão está em toda parte” —, a mostra utiliza a arte para discutir o conceito como algo que ultrapassa fronteiras físicas. Segundo o curador Marcelo Campos, o sertão é uma construção afetiva e simbólica, mais próxima do imaginário coletivo do que de uma classificação técnica — sendo “caatinga” o termo geográfico mais adequado.

A exposição também dialoga com a tradição literária que ajudou a consolidar essa imagem, citando autores como Euclides da Cunha, que retrataram o sertão como um espaço coletivo, muitas vezes sem destacar as individualidades de seus habitantes.

Pesquisa e origem do projeto

“Atlântico Sertão” nasce a partir das pesquisas da acadêmica Marina Maciel, responsável pela concepção do projeto. A iniciativa integra as ações do Coletivo Atlântico, grupo que articula arte, política e direitos humanos.

O coletivo já realizou outras exposições com temáticas relacionadas, como “Atlântico Vermelho”, apresentada na sede da Organização das Nações Unidas, em Genebra, e “Atlântico Floresta”, exibida durante encontros do G20 no Rio de Janeiro. Agora, o foco recai sobre o sertão como espaço de invisibilidade histórica e também de resistência cultural.

Além da produção artística, o grupo atua na defesa de pautas estruturais, como o reconhecimento legal da profissão de artista visual no Brasil, ainda ausente na regulamentação trabalhista.

A mostra

Instalada no Centro Cultural Banco do Brasil, a exposição reúne obras de mais de 70 artistas de diferentes regiões do país. O percurso ocupa todos os andares do prédio, com trabalhos que incluem pinturas, esculturas, fotografias e instalações.

A experiência é organizada em seis núcleos temáticos, marcados por cores e atmosferas distintas. O visitante percorre ambientes que evocam desde a vegetação resistente até o céu amplo do sertão, além de tons quentes que simbolizam luta e transformação.

Os temas abordados incluem heranças indígenas e africanas, espiritualidade, modos de vida, memória e as conexões históricas entre Brasil e África. Um dos destaques é a instalação inédita da artista multimídia biarritzzz, que utiliza estruturas digitais em formato triangular, em referência tanto ao instrumento típico do forró quanto a elementos culturais africanos.

A programação também prevê debates, encontros com artistas e atividades educativas voltadas à reflexão sobre direitos humanos, memória e reparação histórica.

Após a temporada em São Paulo, a exposição seguirá para unidades do CCBB em Salvador e Brasília, ampliando o alcance da proposta de ressignificar o sertão como um território plural, dinâmico e profundamente ligado à experiência humana.

Por Paraíba Master

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