Exposição inédita em São Paulo celebra legado de Janis Joplin com acervo histórico
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Uma carta escrita em agosto de 1969 por Dorothy Joplin revela o estranhamento de uma mãe ao ver a filha ser tratada como “rainha” e “deusa”. No texto, ela também lamentava a distância da cantora, que já não mantinha correspondência frequente. Naquele mesmo período, a filha, Janis Joplin, consolidava sua trajetória como um dos maiores nomes do rock e se preparava para subir ao palco de Festival de Woodstock, marco da música mundial.
Quase seis décadas depois dessa apresentação histórica, a artista volta a ser destaque no Brasil. O Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo, inaugura nesta sexta-feira (17) uma exposição inédita dedicada à cantora. A mostra reúne mais de 300 itens originais, incluindo roupas, acessórios, manuscritos e objetos pessoais que permaneciam sob guarda da família e nunca haviam sido exibidos ao público.
O projeto foi viabilizado pelo produtor Chris Flannery, responsável por trazer o acervo ao país após contato com o administrador do espólio da artista. Segundo ele, trata-se da maior exposição já realizada sobre Janis Joplin em todo o mundo.
Entre os destaques, estão peças icônicas do figurino da cantora, além de desenhos e escritos que revelam aspectos pouco conhecidos de sua personalidade artística. “Ela também se expressava por meio da arte visual, e isso está presente na exposição”, afirmou Flannery.
A experiência foi concebida para ser imersiva. Dividida em dez salas temáticas, a mostra propõe uma jornada sensorial baseada em emoções que marcaram a vida e a carreira da artista. A ambientação psicodélica busca transportar o visitante para o universo da contracultura dos anos 1960.
De acordo com o diretor-geral do MIS, André Sturm, a proposta é traduzir a intensidade que caracterizava a cantora. “Janis se entregava completamente em suas performances. Era uma artista movida pela emoção”, destacou.
Uma das salas aborda a relação da cantora com o Brasil, relembrando sua passagem pelo país em 1970, durante o carnaval no Rio de Janeiro. Fotografias, vídeos e trechos de correspondências ajudam a reconstruir esse momento.
Reconhecida por sua voz potente e marcante, Janis Joplin nasceu em 1943, no Texas, e foi influenciada por nomes do blues como Bessie Smith e Big Mama Thornton. Sua carreira ganhou força a partir de 1966, quando passou a integrar a banda Big Brother and the Holding Company, com a qual gravou álbuns emblemáticos.
Posteriormente, seguiu carreira solo e lançou discos que consolidaram seu nome na história da música. Sua trajetória, no entanto, foi breve: a cantora morreu em 1970, aos 27 anos, vítima de overdose, poucos dias após a morte do guitarrista Jimi Hendrix.
A exposição no MIS é a terceira dedicada a grandes mulheres do rock no museu, que já homenageou artistas como Rita Lee e Tina Turner.
Os ingressos custam R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia). Às terças-feiras, exceto feriados, a entrada é gratuita.
Por Paraíba Master