3 de outubro de 2026
Abrir Player em Nova Janela

Formação em jornalismo deve priorizar ética e pensamento crítico diante de IA e desinformação, diz especialista

 Formação em jornalismo deve priorizar ética e pensamento crítico diante de IA e desinformação, diz especialista

Foto: Reprodução

#Compartilhe

O avanço das tecnologias de inteligência artificial e o crescimento da desinformação têm imposto novos desafios à formação em jornalismo no Brasil. Para a professora Marluce Zacariotti, presidente da Associação Brasileira de Ensino de Jornalismo (Abej), é fundamental que os cursos reforcem valores como ética, senso crítico e responsabilidade social para manter a credibilidade da profissão.

A pesquisadora participa do 25º Encontro Nacional de Ensino de Jornalismo (ENEJor), realizado em Brasília, e defende que a adaptação ao novo cenário não deve se limitar à inclusão de disciplinas específicas sobre inteligência artificial ou checagem de fatos. Segundo ela, esses conteúdos precisam estar integrados de forma transversal ao longo da formação acadêmica.

Zacariotti destaca que práticas essenciais do jornalismo, como investigação e verificação de dados, devem ser fortalecidas com o apoio das novas tecnologias, sem perder o protagonismo humano no processo. Para ela, o ensino também deve ultrapassar os limites da sala de aula, ampliando parcerias e ações de extensão que aproximem os estudantes da realidade social.

A professora avalia ainda que o ambiente midiático atual passa por uma profunda transformação, marcada pela influência das plataformas digitais e pelo papel central dos algoritmos. Nesse contexto, compreender fatores econômicos e políticos torna-se indispensável para interpretar o funcionamento do setor.

Outro ponto ressaltado é a importância da educação midiática. A especialista defende que jornalistas devem estar preparados para explicar ao público como a informação é produzida e diferenciar o trabalho profissional de conteúdos gerados por influenciadores, reduzindo a confusão entre os dois.

Apesar dos desafios, Zacariotti afirma que não se deve tratar as tecnologias de forma negativa, mas sim utilizá-las de maneira estratégica. O diálogo com os estudantes, segundo ela, é essencial para entender as dificuldades e explorar o potencial dessas ferramentas.

Por fim, a pesquisadora reforça a importância da formação presencial. Para ela, o jornalismo depende da interação e do trabalho coletivo, tanto na universidade quanto nas redações. A redução do contato direto, aliada às mudanças nas condições de trabalho, tem impactado o perfil dos profissionais, cada vez mais distantes das ruas e concentrados em ambientes internos.

Por Paraíba Master

Relacionados