Governo brasileiro fecha acordo com agência dos EUA para reforçar combate ao tráfico de armas e drogas
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Brasília – O governo do Brasil anunciou nesta sexta-feira a conclusão de um acordo de cooperação com a agência de fronteiras dos Estados Unidos, o U.S. Customs and Border Protection (CBP), com o objetivo de fortalecer o combate ao crime organizado transnacional. A parceria, que envolve a Receita Federal e a alfândega norte-americana, foi revelada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, e recebeu o nome de Projeto MIT (Mutual Interdiction Team, ou Equipe Mútua de Interdição).
Segundo Durigan, a iniciativa busca integrar forças de inteligência para interceptar remessas ilícitas de armamentos e entorpecentes que circulam entre os dois países. “O acordo prevê uma troca de informações com os norte-americanos sobre cargas (contêineres) que saiam daquele país, em conjunto com dados de inteligência, para o Brasil, buscando evitar o tráfico de armas e drogas”, explicou o ministro.
Números preocupantes
Dados apresentados pelo secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, revelam a dimensão do problema. Nos últimos doze meses, foram interceptadas em portos e aeroportos brasileiros cerca de meia tonelada de armas, além de 1,5 tonelada de drogas – com predominância de entorpecentes sintéticos e haxixe.
“Esses números mostram a urgência de uma atuação coordenada e ágil entre os dois países”, afirmou Barreirinhas.
Programa ‘Desarma’
Como parte do acordo, o governo brasileiro lançou o programa “Desarma”, um sistema informatizado que ampliará a capacidade de rastreamento internacional de armas. A ferramenta prevê o compartilhamento estruturado e em tempo real de informações entre Brasil e Estados Unidos “sempre que a aduana brasileira identificar produtos de origem americana relacionados a armas, munições, peças, componentes, explosivos e outros itens sensíveis”, conforme detalhou o ministério.
O sistema organiza dados de apreensões – como tipo de material, origem declarada e informações logísticas da carga – e permite o envio de alertas automáticos às autoridades aduaneiras dos dois países.
“Se a prevenção não der conta de impedir [o envio de armas ao Brasil], dentro do ‘Desarma’ vai haver uma notificação de volta para as autoridades norte-americanas, identificando qual o tipo de arma, de onde chegou, para que eles melhorem os procedimentos e sigam entregando melhores informações. Há grande reciprocidade, com mais informação e mais inteligência”, destacou Durigan.
A expectativa do governo é que a parceria reduza significativamente o fluxo de armas e drogas ilegais entre as duas nações, além de servir como modelo para futuras cooperações internacionais no enfrentamento ao crime organizado.
Por Paraíba Master