Humorista Hélio de la Peña compara Cabedelo ao Rio de Janeiro em meio a crise política na Paraíba
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O comediante carioca Hélio de la Peña fez uma apresentação em João Pessoa no último domingo (26) que acabou repercutindo muito além do palco. Durante o espetáculo solo “Preto de Neve”, realizado no Teatro Ednaldo do Egypto, o artista não apenas arrancou risadas do público, mas também traçou um paralelo inusitado e bem-humorado entre a realidade de sua cidade natal, o Rio de Janeiro, e a do município paraibano de Cabedelo.
Em um trecho do show que viralizou nas redes sociais, Hélio de la Peña narrou que foi levado por um amigo para conhecer uma praia em Cabedelo, sob a promessa de que o local seria “igualzinho ao Rio”. Ao chegar, no entanto, ele brincou com as diferenças:“Tem o mar, o mar legal e tal, mas a água é morna, lá no Rio a água é fria. Eu olhei assim e falei, não estou vendo nenhuma semelhança, não vi Pão de Açúcar, não vi Cristo Redentor”.
A noite de humor, porém, ganhou outro contorno quando o artista foi informado sobre a instabilidade política que assola a cidade paraibana.“Aí ele falou assim: é que aqui em Cabedelo o prefeito foi preso. O vice assumiu, também foi preso. Fizeram uma eleição, o presidente da Câmara ganhou, assumiu e três dias depois foi preso. Num é que eu me senti em casa? Igualzinho cara, igualzinho”, ironizou o comediante, ex-membro do grupo humorístico Casseta & Planeta.
A analogia feita por Hélio de la Peña não é totalmente infundada. A crise política em Cabedelo é um caso real e tem sido assunto frequente nas manchetes policiais e políticas do país. No dia 14 de abril, o prefeito da cidade, Edvaldo Neto (Avante), foi afastado do cargo menos de 48 horas após uma eleição. A decisão foi tomada no âmbito da Operação Cítrico, deflagrada pela Polícia Federal, que investiga um esquema de fraude em licitações, desvio de recursos públicos e a ligação de agentes políticos com o Comando Vermelho (CV), movimentando até R$ 270 milhões.
A situação é ainda mais complexa. Edvaldo Neto já ocupava o cargo de forma interina desde 2025, quando o então prefeito André Coutinho foi cassado por suspeitas semelhantes. A instabilidade inclui um “rodízio forçado e judicializado” no comando do Executivo municipal.
A fala do humorista, apesar de irônica e de fazer uso do exagero característico do stand-up comedy, tocou em um ponto sensível e atual da política brasileira, criando uma ponte entre a realidade carioca, frequentemente associada a escândalos, e a aguda crise enfrentada pela pequena cidade da região metropolitana de João Pessoa.
A apresentação em João Pessoa fez parte de uma breve turnê do espetáculo “Preto de Neve” pelo Nordeste, que também incluiu passagens por Recife e Guarabira.
Por Paraíba Master