Indígenas marcham em Brasília contra mineração e cobram demarcação de terras e políticas públicas
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Após uma longa viagem de dez dias de ônibus entre Tarauacá (AC) e Brasília, a jovem trabalhadora rural Claudia Kaxinawá, de 21 anos, participou da mobilização do Acampamento Terra Livre com entusiasmo. Integrante do povo Huni Kuim e moradora da aldeia Mabayá, ela percorreu a pé cerca de quatro quilômetros até a Esplanada dos Ministérios para se somar ao protesto.
Ao chegar ao Congresso Nacional, Claudia se destacou ao erguer uma bandeira que defendia a proibição da exploração minerária em territórios indígenas. Para ela, a participação da juventude é essencial na defesa dos direitos de seus povos. “Tenho orgulho de estar aqui representando minha comunidade”, afirmou.
A mobilização reuniu lideranças de diversas regiões do país. Entre elas, a indígena Sara Lima, de 42 anos, do povo Pataxó, que denunciou os impactos ambientais provocados por grandes empreendimentos. Com as mãos pintadas de vermelho, ela chamou atenção para os efeitos do projeto da mineradora Belo Sun na região da Volta Grande do Xingu, já afetada pela Usina de Belo Monte.
Segundo Sara, a instalação de grandes obras compromete diretamente a sobrevivência das comunidades tradicionais. Ela relatou a redução drástica de peixes na região, o que tem afetado a alimentação das famílias. Durante a marcha, cartazes com mensagens como “Congresso: escolha entre a vida e o ouro” reforçaram o tom de protesto.
Além das críticas à mineração, os participantes também reivindicaram melhorias em políticas públicas. O agente de saneamento Naron da Silva, de 22 anos, do povo Tupi, destacou os desafios enfrentados por sua comunidade no território indígena Piaçaguera, no litoral de São Paulo. Entre as principais demandas estão o acesso regular à água e a proteção contra invasões de grileiros.
“Viemos reivindicar nossos direitos e condições dignas de vida. A água é essencial para nossa sobrevivência”, ressaltou.
A pauta da educação também esteve presente na mobilização. Integrantes da comunidade Gueguês, no Piauí, pediram a ampliação da oferta de ensino, incluindo cursos superiores. A estudante Marilene de Jesus, de 37 anos, que cursa licenciatura intercultural no Instituto Federal do Piauí, destacou a importância da formação acadêmica para fortalecer a identidade cultural de seu povo.
Ao final do ato, representantes indígenas entregaram um documento ao governo federal reconhecendo avanços recentes, mas cobrando maior agilidade na demarcação de terras e outras medidas urgentes. Outro texto foi encaminhado ao Itamaraty com a proposta de criação de áreas livres da exploração de petróleo e gás.
A 22ª edição do Acampamento Terra Livre reúne cerca de 8 mil participantes em Brasília e segue com atividades até este sábado.
Por Paraíba Master