Justiça suspende empresas investigadas por elo com facção criminosa em Cabedelo
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Entenda o caso
O Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado do Ministério Público da Paraíba (Gaeco/MPPB), a Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram a Operação Cítrico em 14 de abril de 2026, para cumprir medidas cautelares expedidas no âmbito de investigação que apura a suposta atuação de organização criminosa voltada à fraude em licitações, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e financiamento de facção criminosa com atuação no município de Cabedelo, na Região Metropolitana de João Pessoa.
Vinte e um mandados de busca e apreensão foram expedidos, além de outras cautelares pessoais determinadas pelo Poder Judiciário, como o afastamento do então prefeito de Cabedelo e de outros servidores públicos para aprofundar a colheita probatória, preservar a investigação e impedir a continuidade das condutas investigadas.
O esquema investigado teria se valido da contratação fraudulenta de empresas fornecedoras de mão de obra vinculadas à facção criminosa “Tropa do Amigão”, braço do “Comando Vermelho”, com infiltração de faccionados em estruturas da Prefeitura de Cabedelo, circulação de valores de origem pública em favor do crime organizado e utilização de contratos administrativos como instrumento de manutenção de poder, influência territorial e blindagem institucional.
A investigação revelou um consórcio entre agentes políticos da alta cúpula do município, empresários e integrantes de organização criminosa, voltado à perpetuação de contratos milionários e à distribuição de vantagens ilícitas, com valores superiores a R$ 250 milhões.
Entre os crimes investigados estão frustração do caráter competitivo de licitação, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e financiamento de organização criminosa.
Segundo as investigações conduzidas pelo Gaeco/MPPB e pela PF, as licitações fraudadas tinham como objetivo eternizar a contratação do grupo econômico liderado pelas empresas citadas. Por meio delas, os suspeitos contratariam pessoas indicadas por líderes da facção criminosa. Os recursos públicos destinados ao pagamento desses postos de trabalho terceirizados retornariam, então e em tese, aos líderes da organização e aos agentes políticos na forma de propina, configurando graves crimes de desvio de rendas públicas, fraude à licitação, lavagem de dinheiro e integração em organização criminosa. A manutenção do grupo criminoso envolveria a criação de folhas de pagamento paralelas, pagamentos feitos com dinheiro em espécie para dificultar o rastreamento, aumento artificial de salários para gerar excedentes financeiros e a nomeação de pessoas ligadas diretamente à cúpula do tráfico para cargos estratégicos e operacionais no município.
Diante do cenário encontrado, o Gaeco/MPPB e a PF reuniram indícios, relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e depoimentos e formularam pedidos de natureza cautelar, com o objetivo imediato de neutralizar econômica, financeira e operacionalmente o apontado esquema de corrupção e infiltração criminosa instalado no Município, por meio da suspensão das atividades das empresas e de seus operadores reais. E, ao mesmo tempo, desarticular o loteamento ilícito de postos de trabalho terceirizados utilizados para abrigar faccionados na administração pública municipal, garantindo a preservação da ordem pública e o restabelecimento da moralidade administrativa.
Por Paraíba Master