1 de outubro de 2026
Abrir Player em Nova Janela

Laura Fernández vence eleição presidencial na Costa Rica e será a segunda mulher a comandar o país

 Laura Fernández vence eleição presidencial na Costa Rica e será a segunda mulher a comandar o país

Foto: Reprodução

#Compartilhe

Laura Fernández, candidata do direitista Partido Povo Soberano, venceu no primeiro turno a eleição presidencial da Costa Rica e assumirá o cargo em 8 de maio. Aos 39 anos, a politóloga será a segunda mulher a governar o país centro-americano.

Com mais de 90% das urnas apuradas, Fernández somou 48,3% dos votos válidos, abrindo ampla vantagem sobre o social-democrata Álvaro Ramos, do Partido da Libertação Nacional, que obteve 33,3%.

Ex-ministra da Presidência e do Planejamento, a presidente eleita construiu sua campanha com a promessa de dar continuidade às políticas do atual governo, liderado por Rodrigo Chaves. A posição foi reiterada em seu discurso após a confirmação da vitória, quando afirmou que pretende consolidar projetos iniciados pela atual administração.

Trajetória política e acadêmica

Natural de Puntarenas, no litoral do Pacífico, Laura Virginia Fernández Delgado nasceu em julho de 1986. É formada em política pública e governabilidade democrática pela Universidade da Costa Rica. Iniciou sua trajetória profissional como consultora do Programa de Reforma do Estado do Ministério do Planejamento Nacional e da Política Econômica, entre 2008 e 2010.

A partir de 2010, passou a integrar o quadro do ministério, onde atuou como assessora em temas de modernização administrativa até 2014. Em seguida, trabalhou como assessora da Assembleia Legislativa, com foco em orçamento público, finanças e reformas governamentais.

Em 2018, retornou ao Ministério do Planejamento como pesquisadora, dedicando-se a áreas como cooperação governamental, emprego público e reforma administrativa. No mesmo ano, chegou a ser mencionada como possível candidata a vice-presidente na chapa de Mario Redondo.

Entre 2020 e 2021, foi diretora de planejamento estratégico da prefeitura de Cartago. Em maio de 2022, foi nomeada ministra do Planejamento Nacional e da Política Econômica pelo presidente Rodrigo Chaves e, dois anos depois, assumiu o Ministério da Presidência. Ela deixou os cargos em janeiro do ano passado para viabilizar sua candidatura ao Palácio Presidencial, anunciada oficialmente em 29 de julho.

Segurança e combate ao narcotráfico

Um dos principais eixos da campanha de Fernández foi o enfrentamento ao narcotráfico, tema que ganhou centralidade diante do aumento da violência no país. Embora historicamente vista como uma das nações mais seguras da região, a Costa Rica registrou em 2025 o terceiro ano mais violento de sua história, com taxa de 16,7 homicídios dolosos por 100 mil habitantes, segundo dados do Organismo de Investigação Judicial (OIJ).

O governo atribui o avanço da criminalidade à atuação de facções ligadas ao tráfico de drogas e aos conflitos entre grupos rivais. Para enfrentar o problema, Fernández defende medidas mais duras, como a suspensão temporária de garantias individuais em áreas específicas para operações contra o crime organizado — proposta que provocou críticas de setores da oposição.

Entre suas promessas também estão o endurecimento das penas para crimes relacionados ao narcotráfico e a continuidade da construção de um presídio de segurança máxima, inspirado em modelos adotados por outros países da região, como El Salvador.

Marco histórico

A vitória de Fernández marca a segunda vez que uma mulher chega à Presidência da Costa Rica. A primeira foi Laura Chinchilla, que governou o país entre 2010 e 2014, também após vencer a eleição ainda no primeiro turno. A Costa Rica tem cerca de 5,2 milhões de habitantes e é considerada uma das democracias mais estáveis da América Central.

Por Paraíba Master

Relacionados