2 de outubro de 2026
Abrir Player em Nova Janela

Lula diz que desigualdade atinge menor nível histórico e destaca isenção de IR para salários até R$ 5 mil

 Lula diz que desigualdade atinge menor nível histórico e destaca isenção de IR para salários até R$ 5 mil

Foto: Reprodução

#Compartilhe

Em pronunciamento em cadeia nacional na noite deste domingo (30), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a desigualdade social no Brasil atingiu o menor patamar já registrado. A fala ocorreu dias após a sanção da lei que isenta do Imposto de Renda todos os trabalhadores que ganham até R$ 5 mil mensais, mudança que passa a valer a partir de janeiro de 2026. A legislação também cria uma tributação adicional para contribuintes de alta renda.

Ao longo de aproximadamente seis minutos, Lula defendeu que a atualização na cobrança do IR é parte de um compromisso assumido na campanha presidencial. Ele mencionou ainda programas como Pé-de-Meia, Luz do Povo e Gás do Povo como iniciativas que, segundo ele, contribuem para reduzir disparidades.

“Graças a essas e outras políticas, a desigualdade no Brasil é hoje a menor da história. Ainda assim, continuamos entre os países mais desiguais do mundo. O 1% mais rico concentra 63% da riqueza nacional, enquanto metade da população detém apenas 2%”, declarou o presidente.
Lula afirmou que a mudança no IR representa “um passo importante” para equilibrar a distribuição de renda, mas ressaltou que o governo pretende avançar em novas medidas.

Economia e impacto da isenção

Lula apresentou estimativas para ilustrar o efeito da isenção. De acordo com ele, um trabalhador que recebe R$ 4.800 por mês poderá economizar cerca de R$ 4 mil ao ano. “É quase como receber um décimo quarto salário”, comparou.

Para compensar a redução de arrecadação, a nova lei cria uma cobrança adicional de até 10% sobre rendimentos acima de R$ 600 mil anuais — o equivalente a R$ 50 mil mensais. A expectativa é que cerca de 140 mil pessoas entrem nessa faixa. O presidente afirmou que o dinheiro poupado pelos trabalhadores deve injetar R$ 28 bilhões na economia.

Tabela do Imposto de Renda permanece sem correção

A mudança aprovada não corrige integralmente a tabela do Imposto de Renda, que mantém as mesmas alíquotas — 0%, 7,5%, 15%, 22,5% e 27,5%. Assim, quem recebe mais de R$ 7.350 continua sujeito à faixa máxima de 27,5%.
No governo, a avaliação é que uma correção total custaria mais de R$ 100 bilhões por ano, inviabilizando a medida no momento.

Desde 2023, estão isentos trabalhadores que ganham até dois salários mínimos, mas a regra alcança apenas a base da tabela.

Tributação sobre os mais ricos

A nova cobrança mira contribuintes de alta renda, que hoje pagam, em média, uma alíquota efetiva de apenas 2,5% sobre rendimentos totais. Boa parte desse grupo se beneficia de regras que isentam lucros e dividendos distribuídos por empresas, além de outros ganhos específicos. Enquanto isso, profissionais assalariados têm carga média de 9% a 11%.

A lei também estabelece mecanismos para evitar que a soma de impostos pagos por empresas e acionistas ultrapasse limites definidos, com possibilidade de restituição caso esses tetos sejam excedidos.

Por Paraíba Master

Relacionados