2 de outubro de 2026
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Lula envia ao Congresso projetos que criam Universidade Federal Indígena e Universidade Federal do Esporte

 Lula envia ao Congresso projetos que criam Universidade Federal Indígena e Universidade Federal do Esporte

Foto: reprodução

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Os projetos de lei que criam duas novas instituições federais de ensino superior — a Universidade Federal Indígena (Unind) e a Universidade Federal do Esporte (UFEsporte) — foram encaminhados ao Congresso Nacional nesta quinta-feira (27) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A previsão é que ambas as universidades comecem a funcionar em 2027. As informações são do Agência Brasil.

Durante a cerimônia, Lula afirmou que a criação da Unind representa uma reparação histórica. Segundo ele, enquanto os colonizadores tentaram apagar a memória e a cultura dos povos originários, a nova universidade surge para devolver cidadania, respeito e garantir direitos.

“Esta universidade é uma coisa necessária para dar a vocês um direito que nunca deveria ter sido tirado”, declarou o presidente. Lula reforçou que, além da demarcação de terras, cabe ao Estado assegurar condições dignas de vida e valorização cultural para os povos indígenas.

O professor da Universidade de Brasília, Gersem Baniwa — liderança indígena e referência na educação diferenciada — avaliou que a Unind simboliza a derrubada da “última fronteira da colonização”: a violência cognitiva e epistêmica imposta por modelos educacionais eurocêntricos. Para ele, a universidade será instrumento de autodeterminação e de afirmação de epistemologias indígenas.

Foco da Unind

Com sede em Brasília e estrutura multicampi, a Unind foi construída após processo de escuta envolvendo lideranças, educadores, jovens e anciãos indígenas. A instituição terá vestibulares próprios e deverá começar oferecendo 10 cursos, com previsão de expansão para até 48 graduações. A expectativa é atender cerca de 2,8 mil estudantes nos quatro primeiros anos.

Os cursos serão voltados para áreas estratégicas às comunidades indígenas, como gestão territorial, políticas públicas, línguas indígenas, saúde, direito, agroecologia, engenharias, tecnologias e formação docente.

Segundo o Ministério da Educação, a proposta busca enfrentar desigualdades históricas de acesso ao ensino superior, valorizando saberes tradicionais e promovendo ensino intercultural, pesquisa e extensão comprometidos com a sustentabilidade e o fortalecimento dos territórios.

A Universidade Federal do Esporte

Já a UFEsporte, também sediada em Brasília, surge com o objetivo de integrar formação acadêmica, qualificação profissional e desenvolvimento científico aplicado ao esporte. Lula afirmou que o país não pode continuar dependendo dos “milagres individuais” dos atletas para alcançar resultados expressivos.

“O que a gente vai fazer é dar condições científicas e técnicas para aperfeiçoar aquilo que a pessoa já tem. Tem atleta que não tem nem um tênis para correr. E de quem é o papel? É do Estado”, disse o presidente.

A universidade terá parceria com a Universidade Aberta do Brasil, permitindo oferta de cursos a distância, e centros de excelência em todas as regiões do país, utilizando inclusive estruturas das Olimpíadas de 2016.

Serão ofertados cursos de bacharelado, tecnologia e pós-graduação em áreas como ciência do esporte, medicina esportiva, gestão esportiva, nutrição, reabilitação e modalidades estratégicas de formação de atletas.

A paralímpica Verônica Hipólito destacou que o esporte é transversal e que a universidade deve ser inclusiva, diversa e acessível.

Inclusão e combate às desigualdades

A UFEsporte também incorpora diretrizes de inclusão, com foco em acessibilidade para pessoas com deficiência, fortalecimento do paradesporto, combate ao racismo no esporte, enfrentamento à misoginia, incentivo às modalidades femininas e ampliação da presença de pessoas negras e indígenas em cargos de liderança.

Dados do Observatório da Discriminação Racial no Futebol mostram que 41% dos profissionais negros e 31% dos indígenas afirmam ter sofrido racismo no trabalho. Outro levantamento da USP aponta que, embora 57% dos atletas da elite do futebol sejam pretos ou pardos, apenas 12,5% dos treinadores das Séries A e B em 2024 pertenciam a esses grupos.

Por Paraíba Master

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