28 de setembro de 2026
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Mala direta, códigos e edição de PDFs’: PF detalha como Banco Master forjou papéis para simular R$ 7,15 bi em créditos

 Mala direta, códigos e edição de PDFs’: PF detalha como Banco Master forjou papéis para simular R$ 7,15 bi em créditos

Foto: Reprodução

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Investigações da Polícia Federal revelam que o Banco Master utilizou uma verdadeira “linha de montagem digital” para fabricar documentações falsas e simular a existência de carteiras de crédito consignado. O objetivo do esquema era dar aparência de legalidade a R$ 7,15 bilhões em operações fictícias envolvendo a empresa de fachada Tirreno Consultoria, cujos ativos sem lastro eram posteriormente negociados com o Banco de Brasília (BRB).

Segundo relatório técnico-pericial da PF, elaborado a partir de uma apresentação interna apreendida no setor de TI da instituição financeira, a fraude combinava ferramentas simples de escritório, rotinas de programação e softwares de edição de documentos para transformar registros de clientes antigos em novos contratos.

A engrenagem do esquema digital

A maquiagem contábil e documental era executada em etapas estruturadas no ambiente cibernético do banco:

  • Extração de dados reais: Funcionários buscavam cadastros de clientes antigos no banco de dados da instituição (produto CredCesta) para obter informações como CPF, nome e filiação.

  • Produção massiva de documentos: Com o uso da função de mala direta do Microsoft Word integrada a planilhas do Excel, a equipe gerava milhares de procurações em lote — em um único dia, cerca de 2.700 peças foram emitidas.

  • Aproveitamento de assinaturas: A área de tecnologia desenvolveu scripts na linguagem C# para fatiar arquivos PDF e extrair exclusivamente as páginas com assinaturas de contratos legítimos passados, permitindo o reaproveitamento dos registros visuais.

  • Remoção de registros temporais: Para esconder a antiguidade das informações originais, técnicos editavam os arquivos para apagar datas e horários de termos de consentimento e comprovantes de transferência.

  • Compilação dos dossiês: Com o programa PDF24, os papéis alterados eram unificados em um único arquivo PDF por operação, simulando pastas completas de crédito para apresentação a auditorias e parceiros.

Perícia identificou divergência em assinaturas virtuais

Apesar dos esforços do grupo para apagar os rastros — que incluíram tentativas de alterar comprovantes de transações via PIX e combinações via Teams para alegar “erro operacional” perante auditores externos —, os elementos de segurança digital mantiveram a cronologia real do processo.

Os peritos da PF constataram que, enquanto o corpo de Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) exibia datas retroativas (como janeiro de 2025), a validação criptográfica das assinaturas digitais via certificado corporativo registrava a emissão efetiva em momentos posteriores (como junho de 2025).

As provas colhidas pela investigação indicam ainda que as amostras manipuladas não ficavam restritas ao setor operacional, sendo enviadas diretamente à cúpula do banco para acompanhamento das transações.

Por Paraíba Master

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