MPF denuncia esquema de fraude em concurso da Polícia Federal com atuação na Paraíba
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O Ministério Público Federal (MPF) apresentou a primeira denúncia criminal no âmbito das investigações das Operações Última Fase e Concorrência Simulada, que apuram um esquema de fraudes em concursos públicos em todo o país. O alvo principal da ação penal é o certame da Polícia Federal realizado em 2025, mas as investigações revelaram que a Paraíba foi um dos principais polos de atuação da organização criminosa.De acordo com a denúncia, o grupo ilícito operava de maneira estruturada e hierarquizada, com núcleos específicos instalados na Paraíba, em Pernambuco e em Alagoas. A atuação no estado paraibano incluía desde a captação de candidatos interessados em obter vantagem ilegal até a logística para envio de imagens das provas e distribuição de gabaritos.
Fraude no concurso da PF para delegado
O esquema fraudulento no concurso da Polícia Federal de 2025, aplicado em 27 de julho, teve como foco o cargo de delegado. As investigações apontaram que um dos denunciados, candidato com vínculo direto com o núcleo criminoso, foi beneficiado pelas ações do grupo.A metodologia utilizada era sofisticada: candidatos infiltrados fotografavam as provas em tempo real, as imagens eram enviadas a especialistas externos que resolviam as questões, e os gabaritos eram repassados aos envolvidos mediante pagamento de altas quantias.
Preços definidos por lógica comercial
A denúncia do MPF detalha que a organização aplicava critérios quase empresariais para definir os valores cobrados dos candidatos. Os preços variavam conforme o salário inicial do cargo pretendido, podendo ultrapassar R$ 280 mil por beneficiário. O controle financeiro do esquema era rigoroso e centralizado, com movimentações atípicas detectadas pelos investigadores.
Dez denunciados e múltiplos crimes
Os dez denunciados foram identificados conforme suas funções dentro da estrutura criminosa, que incluía:
- Gestores do esquema
- Intermediários e recrutadores de candidatos
- Especialistas responsáveis pela resolução das provas
- Executores da extração de imagens dentro dos locais de prova
- Beneficiários finais (candidatos fraudadores)
Os crimes apontados na denúncia são organização criminosa, fraude em certame de interesse público, lavagem de dinheiro, corrupção, falsidade documental e embaraço às investigações.
MPF pede revogação de colaborações premiadas
Em um desdobramento significativo do caso, o MPF informou que solicitará à Justiça a revogação dos benefícios de colaboração premiada concedidos a dois dos denunciados. Segundo os autos, ambos descumpriram os termos acordados ao omitir informações relevantes sobre o esquema e ao continuar praticando atividades ilícitas mesmo após os acordos.Com a violação, o órgão ministerial requer a cessação imediata dos benefícios, a responsabilização criminal dos envolvidos com a aplicação das penas previstas em lei e o eventual ressarcimento aos cofres públicos pelos prejuízos causados.
Ação tramita na Justiça Federal
A ação penal foi registrada sob o número 0800032-08.2026.4.05.8205 e tramita na Justiça Federal. As investigações seguem em andamento para apurar a eventual participação de outros candidatos e servidores públicos nos estados da Paraíba, Pernambuco e Alagoas, além de possíveis desdobramentos em outras regiões do país.
Por Paraíba Master, com informações do Ministério Público Federal