Operação Argos desarticula organização de tráfico interestadual e bloqueia R$ 104 milhões
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A Polícia Civil da Paraíba deflagrou nesta terça-feira a Operação Argos, considerada uma das ações mais significativas contra o tráfico de drogas interestadual nos últimos anos. A ofensiva resultou na prisão de Jamilton Alves Franco, conhecido como “Chocô”, apontado como principal fornecedor de entorpecentes no estado e em áreas estratégicas do Sertão de Pernambuco e Ceará. Ele foi detido em sua residência em Hortolândia (SP).
A ação cumpriu 44 mandados de prisão, 45 de busca e apreensão e bloqueou judicialmente R$ 104,8 milhões em contas de 199 investigados, além do sequestro de 13 imóveis de luxo e 40 veículos, incluindo carros esportivos e frotas avaliadas em mais de R$ 10 milhões.
Investigação com início em 2023
As investigações tiveram início em meados de 2023, após apreensões recordes de drogas no estado da Paraíba. O cruzamento de dados de inteligência indicou que todas as cargas pertenciam a um mesmo grupo, liderado por “Chocô”. A análise de celulares apreendidos e quebras de sigilos bancários revelou uma organização criminosa com ramificações interestaduais e grande poder financeiro.
Segundo a Polícia Civil, Chocô é natural de Cajazeiras, mas se estabeleceu em São Paulo ainda jovem. Durante sua passagem pelo sistema prisional paulista, ele teria se conectado ao núcleo “Sintonia” do Primeiro Comando da Capital (PCC), o que possibilitou a logística necessária para se tornar um dos maiores distribuidores de cocaína e maconha para o Nordeste.
Prejuízos milionários
O grupo criminoso teria causado prejuízos superiores a R$ 100 milhões, conforme as apreensões relacionadas à investigação:
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150 kg de cocaína em Patos (maio/2023) – R$ 27 milhões;
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400 kg de drogas em Cajazeiras (junho/2023) – R$ 6,8 milhões;
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1 tonelada de entorpecentes em Conceição (outubro/2023) – R$ 46 milhões;
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80 kg de cocaína pura em São José de Piranhas (fevereiro/2025) – R$ 10 milhões.
Estrutura financeira e lavagem de dinheiro
A Polícia Civil identificou que a organização operava como uma “holding do crime”, com núcleos de transporte, varejo e financeiro. O esquema de lavagem movimentou cerca de R$ 500 milhões desde 2023, envolvendo empresas de fachada e laranjas. Entre os investigados estão:
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Giovanna Parafatti, ex-bancária, responsável por movimentar mais de R$ 15 milhões via holding familiar;
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Naiara Batistelo, médica, que atuava como intermediária financeira no Mato Grosso, movimentando R$ 10,9 milhões em 29 meses.
A investigação também apontou tentativas de infiltração em contratos públicos, com empresas recebendo recursos milionários sem capacidade operacional, possivelmente para financiar o tráfico.
Alcance da operação
A Operação Argos mobilizou mais de 400 policiais civis, com apoio do GAECO/MPPB e forças especializadas de outros estados, incluindo São Paulo, Bahia e Mato Grosso. As diligências ocorreram simultaneamente em 13 cidades de quatro estados, incluindo João Pessoa, Campina Grande, Patos, São Paulo, Hortolândia e Cândido Sales.
Segundo a Polícia Civil, a ação desarticulou o tripé logístico, varejista e financeiro da organização criminosa, dando um golpe significativo no tráfico interestadual. O nome da operação faz referência ao Argos Panoptes, gigante da mitologia grega com múltiplos olhos, simbolizando vigilância constante e estratégica.
Por Paraíba Master