Papa Leão XIV cobra ação conjunta sobre migração e pede que países coloquem dignidade humana no centro das políticas
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O Papa Leão XIV defendeu nesta segunda-feira (08) que a crise migratória mundial exige uma resposta coordenada entre os países e afirmou que o fenômeno deve despertar a consciência da comunidade internacional. Em discurso realizado no Parlamento da Espanha, o pontífice destacou que a questão ultrapassa estatísticas e fronteiras, envolvendo princípios éticos, jurídicos e humanitários.
Segundo o líder da Igreja Católica, milhões de pessoas são obrigadas a deixar suas casas devido a conflitos, insegurança, pobreza e falta de condições dignas de vida. Para ele, o desafio não pode ser tratado apenas como uma gestão de fluxos migratórios, mas como uma realidade que exige soluções centradas na proteção da pessoa humana.
Leão XIV afirmou que os governos têm o dever de criar mecanismos seguros e legais para a migração, garantir acolhimento respeitoso aos deslocados e promover condições que permitam às populações permanecerem em seus países de origem. O papa ressaltou que o direito de migrar deve caminhar ao lado do direito de não ser forçado a abandonar a própria terra.
O pontífice também alertou para o aumento dos riscos enfrentados por migrantes e refugiados nas rotas em direção à Europa. Diante desse cenário, pediu o fortalecimento das ações de prevenção, resgate e assistência às vítimas de travessias perigosas.
Durante o pronunciamento, Leão XIV reforçou que nenhum país possui capacidade para enfrentar sozinho um desafio dessa dimensão. Por isso, defendeu a ampliação da cooperação regional e multilateral, com iniciativas conjuntas que garantam respostas eficazes e solidárias.
A visita do papa à Espanha começou no último sábado e terá duração de uma semana. Nos dias finais da agenda, ele seguirá para as Ilhas Canárias, uma das principais portas de entrada de migrantes africanos que chegam ao território espanhol em embarcações precárias.
A viagem marca a primeira visita de um pontífice ao país em 15 anos e também a primeira vez que um chefe da Igreja Católica discursa perante o Parlamento espanhol. O pronunciamento ocorre em um contexto de forte polarização política sobre a imigração.
Nos últimos meses, dirigentes do partido de direita radical Vox intensificaram críticas à atuação da Igreja Católica na acolhida de migrantes. Bispos espanhóis têm participado de iniciativas de assistência a estrangeiros que chegam às Canárias e apoiaram medidas de regularização migratória promovidas pelo governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez.
Representantes da Igreja também manifestaram preocupação com acordos firmados entre o Vox e o Partido Popular (PP) em administrações regionais, especialmente por incluírem propostas que priorizam cidadãos espanhóis no acesso a determinados serviços públicos e benefícios sociais.
Apesar da relevância histórica da sessão parlamentar, apenas cinco deputados não compareceram ao discurso de Leão XIV. As ausências foram registradas entre parlamentares do Podemos e do Bloco Nacionalista Galego (BNG).
Por Paraíba Master