29 de setembro de 2026
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Presidente do BRB busca apoio do Banco Central em meio à crise provocada por operações com o Banco Master

 Presidente do BRB busca apoio do Banco Central em meio à crise provocada por operações com o Banco Master

Foto: BRB/Divulgação e Raphael Ribeiro/Banco Central

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O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, esteve reunido na tarde desta segunda-feira (27) com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para tratar da situação financeira da instituição. O encontro ocorreu na sede da autoridade monetária e teve como foco as medidas para viabilizar um empréstimo de R$ 6,6 bilhões destinado ao banco, além da regularização da divulgação dos balanços financeiros, que estão atrasados desde o fim do ano passado.

Também participou da reunião a diretora-executiva de Controles e Riscos (DICOR) do BRB, Ana Paula Teixeira de Sousa. Até as 16h30, ambos permaneciam no edifício do Banco Central.

A reunião ocorre menos de duas semanas após um encontro semelhante realizado em 14 de julho, quando a governadora em exercício do Distrito Federal, Celina Leão, também participou de conversas com Galípolo e a direção do BRB. Na ocasião, o Governo do Distrito Federal classificou o encontro como uma reunião técnica e não houve pronunciamento à imprensa.

Empréstimo busca reforçar caixa do banco

O financiamento de R$ 6,6 bilhões foi previsto em um acordo firmado no Supremo Tribunal Federal (STF) e autorizado por lei sancionada em 24 de junho. A medida busca fortalecer o caixa do BRB após a descoberta de irregularidades envolvendo operações financeiras realizadas com o Banco Master.

Controlado pelo Governo do Distrito Federal, o BRB desempenha papel estratégico na administração pública local. A instituição é responsável pelo pagamento dos servidores distritais, opera dezenas de programas sociais e oferece linhas de crédito habitacional, tornando sua estabilidade considerada essencial para o funcionamento da máquina pública.

Investigações apontam irregularidades

A atual crise do banco teve origem em operações realizadas com o Banco Master entre 2024 e 2025, que, segundo dados da própria instituição, alcançaram aproximadamente R$ 30 bilhões.

Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de fraudes financeiras bilionárias envolvendo parte dessas negociações. Meses depois, em abril deste ano, uma nova fase da investigação resultou na prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.

De acordo com a Polícia Federal, negócios com o Banco Master teriam sido aprovados sem garantias suficientes e em desacordo com práticas adequadas de governança corporativa.

Prejuízo bilionário

Segundo estimativas do BRB, cerca de R$ 8,8 bilhões em créditos adquiridos do Banco Master correspondem a ativos considerados inexistentes, fraudulentos ou de difícil recuperação, o que representa um potencial impacto significativo sobre o patrimônio da instituição.

O Governo do Distrito Federal afirma que pretende recuperar aproximadamente R$ 2,2 bilhões por meio de outras medidas financeiras. Para cobrir o restante da exposição, estima ser necessário o empréstimo de R$ 6,6 bilhões.

Ainda nesta segunda-feira (27), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, comentou o caso durante entrevista à Rádio Jornal, de Pernambuco. Ao se referir às operações investigadas, afirmou que o banco teria transferido recursos ao Banco Master em troca de ativos sem valor econômico, reforçando as críticas às negociações que deram origem à atual crise.

 

Por Paraíba Master

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