27 de setembro de 2026
Abrir Player em Nova Janela

Primeiro Censo da Pós-Graduação no Brasil entra na reta final e deve orientar novas políticas públicas

 Primeiro Censo da Pós-Graduação no Brasil entra na reta final e deve orientar novas políticas públicas

Foto: Divulgação

#Compartilhe

O Brasil realiza, pela primeira vez, um levantamento nacional exclusivo sobre a pós-graduação stricto sensu. O Censo da Pós-Graduação 2025, coordenado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), segue aberto até 26 de fevereiro e reúne informações detalhadas sobre programas de mestrado e doutorado em todo o país.

A iniciativa inédita busca traçar um retrato amplo e atualizado da pós-graduação brasileira, com o objetivo de subsidiar políticas públicas mais alinhadas à realidade acadêmica, social e regional do país. A coleta de dados ocorre de forma individual, obrigatória e autodeclaratória, por meio da Plataforma Sucupira.

Devem responder ao questionário eletrônico:

  • estudantes regularmente matriculados em cursos de mestrado e doutorado;

  • docentes permanentes e colaboradores;

  • pesquisadores em estágio pós-doutoral que não atuam como professores; e

  • coordenadores de Programas de Pós-Graduação (PPGs) em exercício.

Segundo a Capes, os formulários foram elaborados de acordo com o perfil de cada participante, com perguntas de múltipla escolha acompanhadas de definições e orientações para evitar interpretações equivocadas. Pró-reitores e coordenadores de programas são responsáveis por acompanhar o preenchimento e garantir a adesão dos integrantes dentro do prazo.

A divulgação dos resultados está prevista para 16 de novembro de 2026.

Levantamento vai revelar quem faz a pós-graduação no país

Em entrevista, a presidente da Capes, Denise Pires de Carvalho, destacou que, apesar da relevância estratégica da pós-graduação para o desenvolvimento nacional, o país ainda carece de dados detalhados sobre quem compõe esse sistema.

“Não sabemos, com precisão, quem são os pós-graduandos e docentes, quantas mulheres e homens, pessoas negras, indígenas, brancas, ou em situação de vulnerabilidade socioeconômica estão nesse ambiente”, afirmou.

De acordo com a gestora, enquanto há informações consolidadas sobre o perfil dos docentes — em sua maioria servidores públicos —, o mesmo não ocorre com os estudantes, o que torna o censo essencial para preencher essas lacunas.

Avaliação passa a considerar impacto social e não apenas produção numérica

Outro ponto central destacado por Denise Pires de Carvalho é a mudança na metodologia de avaliação dos programas de pós-graduação. A Capes tem reduzido o peso de critérios exclusivamente quantitativos, como o número de artigos publicados, e ampliado a análise quali-quantitativa, incorporando os chamados casos de impacto.

A nova abordagem considera de que forma a produção acadêmica influencia políticas públicas, tratamentos de saúde, processos produtivos, inovação tecnológica e transformações sociais. “A interação da pós-graduação com a sociedade passa a ser um elemento central da avaliação”, explicou.

Parentalidade, equidade e diversidade entram no radar

O questionário do censo inclui, pela primeira vez, perguntas sobre parentalidade, permitindo avaliar como a maternidade e a paternidade impactam a trajetória acadêmica de estudantes e docentes.

Para a presidente da Capes, esse mapeamento é fundamental para a formulação de políticas de equidade, como a ampliação do período de avaliação da produção acadêmica de docentes em fase de cuidado familiar e a prorrogação de bolsas para estudantes — medida que já está prevista em lei.

O levantamento também deve fornecer dados inéditos sobre a presença de pessoas pretas, pardas, indígenas, quilombolas e com deficiência na pós-graduação, tema que ganhou destaque com a revisão da Lei de Cotas em 2023. Embora a adoção de ações afirmativas na pós-graduação não seja obrigatória, programas que implementam essas políticas tendem a obter melhor avaliação institucional.

Desigualdades regionais e distribuição de bolsas

Outro objetivo do censo é identificar assimetrias regionais na oferta de programas e bolsas de estudo. Segundo Denise Pires de Carvalho, os dados vão contribuir para repensar a concentração histórica de investimentos nas regiões Sul e Sudeste e orientar estratégias de redução das desigualdades educacionais e sociais no país.

A presidente também ressaltou que a maioria dos pós-graduandos não recebe bolsa, contrariando uma percepção comum. “A bolsa é essencial para a permanência do estudante, porque viabiliza a dedicação integral à formação”, afirmou.

Formação de doutores segue estratégica para o país

Ao comentar a importância da formação de mestres e doutores, Denise Pires de Carvalho destacou que países com maior número de profissionais altamente qualificados tendem a ser mais desenvolvidos. No Brasil, a expansão da pós-graduação permitiu que universidades federais atingissem elevados índices de docentes doutores, o que se reflete na qualidade dos cursos.

Ao mesmo tempo, a Capes tem incentivado a aproximação entre universidades e o setor produtivo, permitindo que estágios obrigatórios de doutorandos ocorram também em empresas, organizações da sociedade civil e ambientes de inovação.

Adesão já chega a quase 70%

Com cerca de 504 mil participantes potenciais, o censo já conta com aproximadamente 70% de adesão, segundo a Capes. Mais de 150 programas de pós-graduação já concluíram integralmente o preenchimento dos formulários.

“A expectativa é finalizar a coleta o quanto antes para iniciar a análise dos dados e apresentar à sociedade um retrato fiel da pós-graduação brasileira”, concluiu a presidente da Capes.

Por Paraíba Master

Relacionados