Queda máxima em 22 meses. Dólar pode chegar a R$5 depois de já ter ido aos R$6; Saiba mais
Embora o dólar esteja se encaminhando para seu primeiro ganho mensal desde outubro em relação às principais moedas, impulsionado pelas tensões geopolíticas, a moeda americana se desvalorizou mais uma vez em relação ao real, alcançando os menores valores desde maio de 2024 em várias sessões de negociação. No total do mês, o dólar apresenta uma queda de aproximadamente 2%, situando-se em torno de R$ 5,13.
Um dos fatores que contribuiu para a valorização da moeda brasileira foi o intenso fluxo de investimentos estrangeiros na B3 e em ativos brasileiros, em meio aos recordes sucessivos do Ibovespa e à avaliação atrativa das ações. Esse fluxo elevou a disponibilidade de dólares no mercado, refletindo o apetite por risco local.
No Brasil, a atenção continua voltada à política monetária: os dados da inflação sustentaram a discussão sobre o início e a velocidade dos cortes na Selic. De acordo com a análise da Zero Markets, embora tenha havido algumas controvérsias em torno do Banco Central, o mercado conseguiu manter uma confiança relativamente estável.
Segundo o Itaú, um cenário externo mais favorável, aliado a um prêmio de risco doméstico ainda contido e a um amplo diferencial de taxas de juros, possibilitou que o real fosse negociado em níveis mais altos no começo deste ano.
Em um cenário global com maior apetite por risco, a moeda se valorizou diante dos fluxos estrangeiros. Contudo, o banco indica que o principal fator de depreciação ao longo do ano continua sendo o aumento previsto no prêmio de risco local antes das eleições, o que limita uma valorização maior. No último relatório, o time de economistas da instituição revisou suas projeções cambiais, reduzindo a estimativa para 2026 de R$ 5,50 para R$ 5,40, e para 2027 de R$ 5,70 para R$ 5,60. Portanto, mesmo com a revisão para baixo, a expectativa é de que o dólar se valorize em relação aos níveis atuais.
O Morgan Stanley também admite que o real segue sendo fortemente influenciado pelos possíveis desfechos das eleições, “embora considere que as pesquisas recentes indicam um apoio significativo a um resultado visto como potencialmente mais cauteloso do ponto de vista fiscal em comparação com suas alternativas”.
O banco avalia que, “se as pesquisas continuarem a indicar essa tendência, o real poderá cair abaixo de R$ 5,00 antes do evento de outubro, o que está mais alinhado com nosso cenário otimista”. Morgan também afirma não estar excessivamente preocupado com o próximo ciclo de afrouxamento monetário do Banco Central do Brasil (BCB), devido à sólida vantagem do carry trade da moeda em comparação com outras moedas.
O banco Pine também destaca que, com o cenário atual, há espaço para uma queda ainda mais acentuada da moeda americana no primeiro semestre, aproximando-se dos R$ 5. Os analistas consideram que a situação econômica dos Estados Unidos mescla uma desaceleração temporária do crescimento com uma inflação ainda alta, porém com um viés um pouco mais otimista para o PIB no começo de 2026.
Em relação ao real, os economistas da instituição acreditam que o cenário continuará favorável no curto prazo, porém veem riscos (limitados) no segundo semestre, ligados à incerteza em torno da questão tarifária. “Reiteramos a previsão de que o real se valorize para cerca de R$ 5 por dólar ainda neste semestre, e que a taxa média em 2026 seja de R$ 5,21 por dólar, considerando as condições externas e internas favoráveis”, ressalta.
Há também quem estime um valor justo ainda mais baixo para o dólar: R$ 4,50. Essa projeção foi ressaltada por Robin Brooks, economista da Brookings Institution e ex-chefe de estratégia cambial do Institute of International Finance (IIF).
Por Paraíba Master