30 de setembro de 2026
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Setor industrial brasileiro esbarra em juros altos e enfrenta dificuldade para acessar crédito, aponta levantamento da CNI

 Setor industrial brasileiro esbarra em juros altos e enfrenta dificuldade para acessar crédito, aponta levantamento da CNI

Foto: Reprodução

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O acesso ao crédito segue sendo um dos principais entraves para o setor industrial brasileiro. De acordo com uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira (19) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), com apoio da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), oito em cada dez empresas que buscaram financiamento enfrentaram obstáculos para obter recursos.

Os juros elevados aparecem como o principal fator de dificuldade. Entre os empresários que tentaram contratar crédito de curto ou médio prazo — com vencimento de até cinco anos —, 80% apontaram o custo financeiro como o maior problema. Também foram citadas a exigência de garantias reais, como imóveis e máquinas (32%), e a ausência de linhas de crédito compatíveis com as necessidades das empresas (17%).

No financiamento de longo prazo, superior a cinco anos, o cenário é semelhante. Para 71% dos entrevistados, os juros altos dificultaram o acesso aos recursos. A cobrança de garantias foi mencionada por 31%, enquanto 17% reclamaram da falta de produtos financeiros adequados aos projetos de investimento.

Segundo a analista de Políticas e Indústria da CNI, Maria Virgínia Colusso, a atual política monetária contribui para o encarecimento do crédito. “Com a taxa Selic em 15% ao ano e juros reais próximos de 10%, o financiamento se torna mais caro e acaba desestimulando investimentos em expansão e inovação”, afirma.

Menor procura por financiamento

O levantamento revela ainda uma retração na demanda por crédito. Nos seis meses anteriores à pesquisa, 54% das empresas não buscaram recursos de longo prazo, enquanto 49% deixaram de procurar crédito de curto ou médio prazo. Apenas 26% conseguiram contratar ou renovar operações de curto prazo, percentual que cai para 17% no crédito de longo prazo.

As dificuldades foram mais acentuadas nas operações de prazo mais longo. Quase um terço das empresas que tentaram esse tipo de financiamento não obteve sucesso. No curto e médio prazos, cerca de 20% também tiveram pedidos negados.

Entre as médias empresas, 43% não conseguiram crédito de longo prazo. Nas pequenas, o índice foi de 37%, e nas grandes, de 27%. No crédito de curto ou médio prazo, 26% das médias empresas ficaram sem financiamento, contra 21% das pequenas e 16% das grandes.

Avaliação negativa das condições

Para 35% das indústrias, as condições de crédito de curto ou médio prazo pioraram. No longo prazo, essa percepção foi registrada por 33%. A maioria avaliou que o cenário permaneceu estável, enquanto apenas uma parcela reduzida relatou melhora.

A pesquisa também apontou baixa utilização do chamado “risco sacado”, modalidade de antecipação de recebíveis. Apenas 13% das empresas recorreram a esse instrumento nos últimos 12 meses, enquanto mais da metade não contratou nem demonstrou intenção de utilizar a operação.

A sondagem foi realizada entre 1º e 12 de agosto do ano passado e ouviu 1.789 empresas industriais de diferentes portes em todo o país.

Por Paraíba Master

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