1 de outubro de 2026
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Sonora Brasil 2026 destaca música afro-indígena em turnê nacional por 15 estados brasileiros

 Sonora Brasil 2026 destaca música afro-indígena em turnê nacional por 15 estados brasileiros

Foto: Divulgação

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A 28ª edição do Sonora Brasil, projeto do Sesc voltado à valorização da música brasileira, terá como foco em 2026 as expressões afro-indígenas, tanto em suas raízes históricas quanto nas releituras contemporâneas. A programação prevê uma circulação inédita de artistas e grupos por 15 estados do país, com apresentações entre junho e dezembro.

O lançamento nacional está marcado para ocorrer em Santarém, no Pará. A proposta do festival é ampliar o contato do público com manifestações culturais que carregam ancestralidade, ao mesmo tempo em que dialogam com linguagens atuais e novas formas de produção artística.

De acordo com a organização, a edição busca evidenciar tradições que atravessam gerações e resistem ao apagamento histórico, reafirmando sua relevância na construção da identidade cultural brasileira.

Música como consciência e resistência

Entre os participantes está o músico indígena pernambucano Gean Ramos Pankararu, cujo trabalho mistura referências das culturas indígena e negra. Ele destaca que a participação no projeto amplia o alcance de sua arte e contribui para fortalecer a compreensão sobre os povos originários na atualidade.

A trajetória de Gean com a música começou ainda na infância, no território Pankararu, no sertão de Pernambuco. Influenciado pela família, ele aprendeu os primeiros acordes cedo e desenvolveu uma relação profunda com a música ao longo dos anos.

Após um período fora de sua terra natal, quando trabalhou no interior de São Paulo, o artista retomou o vínculo com suas origens e passou a produzir composições baseadas em sua vivência e tradição cultural. Para ele, a música vai além da expressão artística e atua como ferramenta de conscientização e preservação histórica.

Segundo Gean, a produção musical indígena contemporânea também representa um espaço de luta. Ele ressalta que, apesar da falta de reconhecimento no passado, há hoje um movimento crescente de visibilidade para artistas indígenas no Brasil.

Lucas Aldi/Divulgação

Diversidade de vozes e territórios

A programação inclui ainda o grupo Suraras do Tapajós, do Pará, formado por mulheres indígenas que trabalham com o carimbó e abordam temas como natureza, ancestralidade e protagonismo feminino.

Outro destaque é o coletivo baiano Cabokaji, que combina influências afro-brasileiras e indígenas com música eletrônica, incorporando elementos corporais e rituais em suas apresentações. Já o grupo Nderé Oblé reúne artistas de diferentes regiões do Brasil e da África, propondo diálogos entre tradição e futuro por meio da música e da performance.

Projeto consolidado

Criado em 1998, o Sonora Brasil é uma das iniciativas mais duradouras do Sesc na área cultural. O projeto tem como objetivo formar público e ampliar o acesso à diversidade musical do país.

Cada artista ou grupo selecionado deve realizar entre 30 e 40 apresentações ao longo da turnê, alcançando diferentes regiões brasileiras. A curadoria busca refletir a pluralidade cultural do país e acompanhar as transformações da cena musical contemporânea.

Na edição anterior (2024-2025), o tema foi “Encontros, Tempos e Territórios”, reunindo diferentes artistas em shows colaborativos e originando uma série documental disponibilizada gratuitamente na plataforma digital do Sesc.

Por Paraíba Master

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