STF ouve defesas dos réus do Núcleo 3 da trama golpista que tentou manter Bolsonaro no poder
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Segundo informações da Agência Brasil, as últimas quatro defesas foram ouvidas em sessão extraordinária, com cada advogado tendo até uma hora para apresentar seus argumentos. A acusação, representada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, também teve uma hora para expor seus pontos, destacando os planos identificados durante a investigação que envolviam o monitoramento e possível assassinato de autoridades — o que, segundo Gonet, demonstra as “intenções homicidas” do grupo.
O julgamento foi suspenso e será retomado na próxima terça-feira (18), quando o relator, ministro Alexandre de Moraes, deverá apresentar seu voto. Em seguida, votarão os demais ministros da Primeira Turma: Cristiano Zanin, Flávio Dino e Cármen Lúcia.
Defesas
O advogado Jeffrey Chiquini, defensor do tenente-coronel Rodrigo Bezerra de Azevedo, afirmou que seu cliente não teve qualquer ligação com o complô bolsonarista. Segundo ele, Azevedo teria apenas recebido um novo celular funcional — o mesmo que havia sido utilizado sob o codinome “Brasil” em mensagens sobre uma suposta “operação Copa 2022”, que previa a neutralização de autoridades.
Chiquini alegou que o militar, ao colocar seu próprio CPF no aparelho, demonstrou não saber da origem ilícita do dispositivo. “É óbvio que ele é inocente, ele colocou o próprio CPF no celular e usou por seis meses”, afirmou.
Já a defesa do tenente-coronel Ronald Ferreira de Araújo Júnior, feita pelo advogado Lissandro Sampaio, buscou desvinculá-lo do grupo golpista. Segundo a acusação, Araújo Júnior teria participado da elaboração de uma carta que pressionava os comandantes do Exército a aderirem ao golpe. No entanto, Sampaio afirmou que seu cliente não participou de reuniões ou conversas relacionadas à trama e que a única evidência contra ele foi o envio de um link com o texto ao jornalista Paulo Figueiredo, sem qualquer assinatura ou apoio explícito.
No mesmo sentido, o advogado Igor Laboissière Vasconcelos Lima, representante do tenente-coronel Sérgio Cavallieri de Medeiros, argumentou que seu cliente apenas repassou a carta a duas pessoas e que mensagens encontradas em seu celular, embora “repudiáveis”, não configuram crime. “Dizer que Sérgio Cavallieri é golpista é ser descolado dos fatos investigados”, afirmou.
Por fim, a defesa do policial federal Wladimir Matos Soares, representado por Sergio Wiliam Lima dos Anjos, alegou falhas nas investigações da Polícia Federal e sustentou que seu cliente não manteve contato com nenhum dos demais réus. Ele é acusado de ter vazado informações sobre o esquema de segurança do então presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva durante a transição de governo.
“Ele não conhece nenhum dos réus, não é citado em nenhuma minuta, planilha, as partes envolvidas disseram que não conhecem o Wladimir”, afirmou o advogado.
Réus do Núcleo 3
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Bernardo Romão Correa Netto (coronel)
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Estevam Theophilo (general)
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Fabrício Moreira de Bastos (coronel)
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Hélio Ferreira Lima (tenente-coronel)
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Márcio Nunes de Resende Júnior (coronel)
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Rafael Martins de Oliveira (tenente-coronel)
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Rodrigo Bezerra de Azevedo (tenente-coronel)
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Ronald Ferreira de Araújo Júnior (tenente-coronel)
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Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros (tenente-coronel)
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Wladimir Matos Soares (policial federal)
Outros núcleos
Até o momento, o STF já condenou 15 réus ligados à trama. Sete pertencem ao Núcleo 4, e oito ao Núcleo 1, liderado por Jair Bolsonaro. O Núcleo 2 está previsto para ser julgado a partir de 9 de dezembro, enquanto o Núcleo 5 — que inclui o empresário Paulo Figueiredo, neto do ex-presidente João Figueiredo e residente nos Estados Unidos — ainda não tem data definida para julgamento.
Por Paraíba Master