28 de setembro de 2026
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Tarifas dos EUA ameaçam setor que lidera exportações da Paraíba para o mercado americano

 Tarifas dos EUA ameaçam setor que lidera exportações da Paraíba para o mercado americano

Foto: Reprodução

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O suco de frutas consolidou-se como um dos principais produtos da pauta exportadora da Paraíba. Em 2025, as vendas para o mercado internacional alcançaram US$ 38,1 milhões, colocando o segmento na terceira posição entre os itens mais exportados pelo estado, atrás apenas dos calçados e do açúcar. No mercado norte-americano, a relevância é ainda maior: cerca de 60% de tudo o que a Paraíba exportou para os Estados Unidos em 2026 corresponde ao produto.

A importância do setor ganha destaque diante da nova rodada de tarifas anunciada pelo governo do presidente Donald Trump sobre produtos brasileiros. A medida, que prevê sobretaxas de 25%, preocupa produtores e exportadores paraibanos, especialmente aqueles ligados à cadeia do abacaxi, principal matéria-prima utilizada na produção de suco concentrado.

O impacto potencial vai além dos números do comércio exterior. A atividade movimenta produtores rurais, transportadoras, trabalhadores da indústria e empresas locais. A Intrafrut, principal exportadora paraibana do segmento, processa cerca de 60 mil toneladas de abacaxi por ano. Aproximadamente 80% dessa produção é originária de municípios paraibanos, como Santa Rita e Itapororoca, enquanto cerca de 70% do volume processado é destinado ao mercado externo.

Diferentemente do que ocorreu em 2025, quando tarifas semelhantes foram barradas pela Justiça americana, a nova ofensiva comercial dos Estados Unidos está baseada na chamada Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O mecanismo permite a adoção de medidas contra países considerados praticantes de políticas vistas como prejudiciais ao comércio norte-americano.

Entre os argumentos apresentados por Washington estão questionamentos sobre o Pix, a regulação de plataformas digitais, questões ambientais, políticas anticorrupção e supostas irregularidades trabalhistas. As medidas devem ser implementadas após a conclusão dos trâmites administrativos previstos para julho.

Enquanto aguardam uma definição, empresas paraibanas mantêm cautela e evitam manifestações públicas sobre o tema. Nos bastidores, negociações e reuniões com compradores americanos buscam avaliar possíveis impactos. Apesar das incertezas, as exportações seguem normalmente, com novos embarques programados para as próximas semanas.

Para o economista e professor de Relações Internacionais da UEPB, Filipe Reis, a estratégia adotada pelos Estados Unidos torna o ambiente de negócios mais complexo para exportadores brasileiros. Segundo ele, a política faz parte de uma agenda protecionista mais ampla, adotada pelo governo Trump para fortalecer a indústria nacional e ampliar a competitividade das empresas americanas.

O especialista destaca que a utilização da Seção 301 reduz as chances de uma reversão rápida das medidas, exigindo adaptação por parte das empresas brasileiras. A busca por novos mercados e a redução da dependência dos Estados Unidos passam a ser estratégias fundamentais para preservar a competitividade do setor.

O cenário atual contrasta com o desempenho registrado no ano passado. Em 2025, as exportações paraibanas de suco para os Estados Unidos cresceram fortemente, impulsionadas por uma quebra de safra na Tailândia e na Costa Rica, dois dos principais concorrentes globais no mercado de suco concentrado de abacaxi. Com menor oferta internacional, a Paraíba ampliou sua participação e conquistou novos espaços comerciais.

Entretanto, em 2026, o cenário mudou. Nos cinco primeiros meses do ano, as vendas para o mercado norte-americano somaram US$ 4,45 milhões, contra US$ 6,43 milhões no mesmo período do ano anterior, representando uma queda de 30,7%. A recuperação da produção nos países concorrentes contribuiu para a redução da participação paraibana no mercado.

Diante desse contexto, especialistas defendem que as empresas intensifiquem a prospecção de novos compradores em outros países, reduzindo a dependência do mercado americano. Ao mesmo tempo, o setor acompanha as negociações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, que podem ser decisivas para o futuro de uma das principais cadeias exportadoras da economia paraibana.

Por Paraíba Master

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