27 de setembro de 2026
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Presidentes da Câmara e do Senado não comparecem a cerimônia do 8 de Janeiro

 Presidentes da Câmara e do Senado não comparecem a cerimônia do 8 de Janeiro

Foto: Reprodução

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Pelo terceiro ano consecutivo, os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal não participam dos atos oficiais que marcam o aniversário dos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023. Em 2026, a ausência se repete: Hugo Motta (Republicanos-PB), que comanda a Câmara, e Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado, não estarão presentes na solenidade em defesa da democracia, marcada para esta quinta-feira (8), no Palácio do Planalto.

A postura mantém um padrão iniciado em 2024, quando o então presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), também deixou de comparecer aos eventos alusivos à data. Lira repetiu a ausência em 2025, quando a cerimônia foi realizada na sede do Executivo. Naquele ano, o Senado foi representado pelo então vice-presidente da Casa, Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB).

Diferentemente do Supremo Tribunal Federal e do Palácio do Planalto, o Congresso Nacional não programou nenhuma atividade institucional própria para marcar o terceiro aniversário dos ataques que culminaram na invasão e depredação das sedes dos Três Poderes.

As ausências ocorrem em meio ao ambiente político tensionado pela expectativa de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vete o projeto aprovado pelo Congresso que prevê anistia ou redução de penas para envolvidos nos atos golpistas. Apesar disso, parlamentares governistas afirmam que a decisão dos presidentes das Casas de não comparecer ao evento não tem relação direta com o tema.

Para lideranças da base aliada, a falta de participação da cúpula do Legislativo demonstra a dificuldade de se formar um consenso político amplo de repúdio à tentativa de ruptura institucional. O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), avalia que, desde 2023, há movimentos no Congresso para minimizar a gravidade dos ataques. Segundo ele, a postura de Motta e Alcolumbre reflete a busca por equilíbrio com parlamentares ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que integram a base de apoio dos dois dirigentes.

Na mesma linha, o líder do PDT, Mário Heringer (PDT-MG), afirma que um eventual veto presidencial não seria anunciado durante a cerimônia. “Não faria sentido transformar um ato institucional em palco de disputa política”, disse, ao reforçar que a ausência dos presidentes do Congresso foi uma decisão própria.

Os ataques de 8 de janeiro tiveram como primeiro alvo o Congresso Nacional. Na Câmara dos Deputados, mais de 400 equipamentos de informática foram destruídos, além de móveis, televisores e itens do acervo artístico. Um levantamento da Polícia Federal em parceria com pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais apontou que pelo menos 186 obras de arte foram danificadas nos três prédios públicos invadidos.

Somados os prejuízos ao Congresso, ao Supremo Tribunal Federal e ao Palácio do Planalto, os danos às obras chegam a cerca de R$ 20 milhões, enquanto as perdas materiais ultrapassam R$ 12 milhões, segundo estimativas oficiais.

Por Paraíba Master

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