3 de outubro de 2026
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Banco Central decreta liquidação da antiga Reag em meio a investigações sobre fraude no Banco Master

 Banco Central decreta liquidação da antiga Reag em meio a investigações sobre fraude no Banco Master

Foto: Reprodução

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O Banco Central determinou nesta quinta-feira (15) a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, instituição que passou a se chamar assim após a mudança de nome da Reag Investimentos, com sede em São Paulo. A decisão ocorre em meio ao avanço das investigações da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de um esquema de fraudes envolvendo o Banco Master.

A medida do BC atinge exclusivamente a instituição responsável pela administração dos fundos, e não os fundos de investimento em si. Com isso, as mais de 80 carteiras administradas pelo grupo continuam em funcionamento, mas deverão migrar para novas instituições que assumam a função de administração e custódia.

Na quarta-feira (14), a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão contra João Carlos Mansur, fundador e ex-executivo da Reag, além de endereços ligados a Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e seus familiares.

BC aponta irregularidades graves

Em nota, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, informou que a instituição enquadra-se no segmento S4 da regulação prudencial — que reúne empresas de pequeno porte e baixo impacto sistêmico — representando menos de 0,001% dos ativos do Sistema Financeiro Nacional.

Segundo o BC, a liquidação foi decretada devido a “graves infrações às normas que regem o funcionamento das instituições financeiras”. A autarquia também informou que os bens dos controladores e ex-administradores ficam indisponíveis, como previsto em lei, enquanto prosseguem as apurações.

O órgão acrescentou que o resultado das investigações pode gerar punições administrativas e comunicações a outras autoridades, incluindo órgãos de persecução penal.

Fundos seguem ativos

Apesar da intervenção, os fundos vinculados à antiga Reag não foram encerrados. A empresa atua na gestão e administração de recursos e patrimônios (asset e wealth management) e integra o Grupo Reag, que também controla outras empresas do setor financeiro.

A liquidação atinge apenas a administradora dos fundos, que deverá ser substituída para garantir a continuidade das operações no mercado.

Escândalo do Banco Master

O caso está inserido em uma crise mais ampla envolvendo o Banco Master, que teve sua liquidação extrajudicial determinada pelo Banco Central em novembro, após suspeitas de irregularidades na venda de carteiras de crédito ao Banco de Brasília (BRB), em uma operação estimada em R$ 12,2 bilhões.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, classificou o episódio como possivelmente a maior fraude bancária já registrada no país. As investigações apontam que a Reag teria atuado como parceira do Master na estruturação e administração de fundos supostamente utilizados nas operações irregulares.

Por decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), foram autorizados 42 mandados de busca e apreensão e o bloqueio de bens que, segundo a Polícia Federal, superam R$ 5,7 bilhões. Durante a operação, foram recolhidos dinheiro em espécie, veículos e itens de alto valor.

As ações ocorreram em São Paulo e também nos estados da Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.

Apurações também envolvem crime organizado

A Reag também já havia sido citada em outra investigação de grande porte: a Operação Carbono Oculto, que apura um esquema bilionário de sonegação e lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis.

Conforme as autoridades, a facção teria utilizado fundos de investimento e fintechs para ocultar recursos oriundos de crimes, em um esquema que envolveria dezenas de fundos e bilhões de reais em ativos.

Na época, a Reag informou que colaborou com as investigações e negou irregularidades. Pouco depois, João Carlos Mansur deixou o comando da empresa. Em seguida, os acionistas controladores anunciaram a venda da maior parte da participação societária para um grupo formado por executivos da própria companhia, em um negócio avaliado em cerca de R$ 100 milhões.

As investigações seguem em andamento.

Por Paraíba Master

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