4 de outubro de 2026
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Ativista Victoria Grabois cobra abertura de arquivos da ditadura militar após retificação de certidões de mortos no Araguaia

 Ativista Victoria Grabois cobra abertura de arquivos da ditadura militar após retificação de certidões de mortos no Araguaia

Paulo Pinto/Agencia Brasil

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A ativista Victoria Grabois, de 82 anos, segue na luta pela preservação da memória e pelo esclarecimento de violações cometidas durante a ditadura militar no Brasil. Familiar de vítimas da repressão, ela perdeu o pai, Maurício Grabois, o irmão André e o marido Gilberto Olímpio, mortos em 1973 por agentes do Estado na região da Guerrilha do Araguaia.

Fundadora do movimento Tortura Nunca Mais, Victoria afirma que mantém o compromisso de denunciar os crimes do período. Segundo ela, mesmo após mais de cinco décadas, ainda é essencial que o Estado brasileiro revele informações sobre as circunstâncias das mortes e o paradeiro dos corpos, nunca entregues à família.

Nesta terça-feira (31), o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, em conjunto com a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, realiza a entrega de 27 certidões de óbito com dados corrigidos durante cerimônia na Universidade Federal da Bahia, em Salvador. Entre os documentos revisados está o de Maurício Grabois, cuja causa da morte passa a constar como “ação violenta do Estado”.

Apesar de considerar a medida importante, a ativista, que vive no Rio de Janeiro, não participa do evento e defende que a correção dos registros precisa ser acompanhada de investigações mais aprofundadas. Para ela, esclarecer quando, como e onde ocorreram as mortes é uma dívida histórica do país.

A Comissão de Mortos e Desaparecidos pretende revisar ao todo 434 certidões, com entregas formais e pedidos públicos de desculpas às famílias. No entanto, a presidente do colegiado, Eugênia Gonzaga, aponta que a falta de acesso integral a arquivos das Forças Armadas ainda impede respostas definitivas sobre diversos casos.

Na véspera da cerimônia, o grupo Tortura Nunca Mais promoveu uma homenagem a defensores dos direitos humanos com a Medalha Chico Mendes. A premiação relembrou vítimas da repressão e pessoas que atuam contra a violência de Estado, reforçando a importância de manter viva a memória histórica.

Victoria também destacou o papel recente do cinema nacional ao ampliar o debate sobre o período militar, levando o tema a novos públicos e despertando maior interesse de estudantes. Para ela, iniciativas culturais contribuem para romper o silêncio e ampliar a compreensão sobre episódios como a Guerrilha do Araguaia.

Por Paraíba Master

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