Eleitorado com mais de 60 anos cresce 74% em 16 anos e amplia peso nas eleições brasileiras
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O contingente de eleitores com 60 anos ou mais no Brasil apresentou um avanço significativo nos últimos 16 anos, crescendo em ritmo bem superior ao do eleitorado geral. Levantamento da Nexus-Pesquisa, com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), aponta que essa faixa etária aumentou 74% entre 2010 e 2026.
No período, o número de brasileiros aptos a votar passou de 135,8 milhões para 156,2 milhões, um crescimento de 15%. Já entre os eleitores mais velhos, o salto foi de 20,8 milhões para 36,2 milhões — um acréscimo de 15,4 milhões de pessoas. A tendência é de alta até o prazo final de cadastro eleitoral, em maio.
Com cerca de um quarto do total de votantes, o grupo 60+ ganha relevância no cenário político, especialmente em disputas acirradas. Segundo especialistas, embora não determine sozinho o resultado de uma eleição, esse segmento pode exercer influência decisiva. Em 2022, por exemplo, a diferença entre os principais candidatos foi inferior a 2 milhões de votos.
Participação e comportamento eleitoral
Outro dado relevante é a redução da abstenção entre os eleitores mais velhos nas últimas eleições. Entre os maiores de 60 anos, a taxa caiu de 37,1% em 2014 para 34,5% em 2022. No mesmo intervalo, a abstenção geral subiu levemente, passando de 19,4% para 20,9%.
Entre os eleitores com mais de 70 anos — para os quais o voto é facultativo — a ausência ainda é mais elevada, mas também apresentou queda: de 63,6% em 2014 para 58,9% em 2022. A participação desse público costuma estar associada a maior engajamento político e convicções consolidadas.
Mais candidatos acima dos 60
O envelhecimento do eleitorado também se reflete no perfil dos candidatos. O número de pessoas com 60 anos ou mais disputando eleições vem crescendo de forma consistente. Em 2024, mais de 70 mil candidaturas foram registradas nessa faixa etária, representando 15% do total — o maior índice desde o fim dos anos 1990.
Nas eleições gerais de 2022, também houve recorde, com 4.873 candidatos 60+, o equivalente a 17% das candidaturas. A presença ampliada desse grupo reforça sua importância no equilíbrio das forças políticas, sobretudo em cenários competitivos.
Especialistas apontam que essa tendência acompanha o envelhecimento da população brasileira e deve se intensificar nos próximos anos, ampliando o peso da chamada “Geração Prateada” nas decisões eleitorais.
Por Paraíba Master