3 de outubro de 2026
Abrir Player em Nova Janela

Telefone retrô com Wi-Fi vira fenômeno entre famílias e escolas nos Estados Unidos ao propor alternativa aos smartphones

 Telefone retrô com Wi-Fi vira fenômeno entre famílias e escolas nos Estados Unidos ao propor alternativa aos smartphones

Foto: Reprodução

#Compartilhe

Quando chegam em casa depois da escola, os filhos de Justin Finn não correm para telas como televisão ou tablet. O primeiro impulso é outro: atender ao telefone. Mas não se trata de um celular — e sim de um aparelho fixo com visual retrô e conexão à internet, chamado Tin Can, que vem ganhando popularidade entre famílias nos Estados Unidos.

Lançado em abril de 2025, o dispositivo custa cerca de US$ 100 e já vendeu centenas de milhares de unidades, impulsionado principalmente pela recomendação entre usuários. O aparelho lembra telefones tradicionais, mas funciona via Wi-Fi e permite chamadas gratuitas entre dispositivos do mesmo tipo, além de acesso a serviços de emergência. Há também um plano opcional de US$ 10 mensais para chamadas externas autorizadas pelos pais.

Segundo Finn, o entusiasmo dos filhos pelo aparelho é evidente. “Não é raro o telefone tocar poucos minutos depois de eles chegarem em casa”, afirma. Para ele, o interesse supera o visto em outras tecnologias domésticas recentes.

A proposta do produto surge em um momento de crescente preocupação com o uso excessivo de telas por crianças. Em diversos países, autoridades discutem restrições ao acesso de jovens a redes sociais, enquanto processos judiciais nos Estados Unidos têm levantado debates sobre impactos dessas plataformas na saúde mental.

Nesse cenário, escolas também passaram a adotar o dispositivo como ferramenta educativa e social. Instituições vêm distribuindo o telefone a alunos como forma de incentivar a comunicação sem o uso de smartphones. Em uma escola nos arredores de Kansas City, cerca de 95% das famílias com crianças até o quinto ano aderiram à iniciativa. Os alunos utilizam listas de contatos em papel para fazer ligações, em uma dinâmica inspirada em décadas passadas.

Pais relatam que a adesão coletiva facilita a redução do uso de celulares. “É difícil limitar sozinho, mas quando há um esforço em grupo, fica mais viável”, afirma uma das responsáveis pelo projeto em uma das escolas participantes. A iniciativa já despertou o interesse de outras comunidades, com dezenas de pedidos para replicação do modelo.

Além disso, escolas em cidades como Los Angeles planejam expandir o uso do dispositivo durante períodos de férias, incentivando que alunos mantenham contato por chamadas de voz em vez de mensagens ou redes sociais.

O criador do Tin Can, Chet Kittleson, diz que a ideia surgiu da dificuldade de organizar encontros entre crianças fora do ambiente escolar. Inspirado pela própria infância nos anos 1990, ele buscou resgatar o telefone fixo como principal meio de interação social.

Para Kittleson, a comunicação por voz contribui para o desenvolvimento de habilidades importantes, como escuta ativa e conforto com pausas naturais em conversas. Pais usuários relatam mudanças no comportamento dos filhos, incluindo maior atenção ao falar e mais confiança nas interações.

O crescimento acelerado, no entanto, trouxe desafios. A empresa enfrentou instabilidades após um aumento significativo de ativações, especialmente durante o período de festas de fim de ano. Segundo o fundador, a prioridade agora é expandir a infraestrutura e garantir a qualidade do serviço.

Combinando nostalgia e preocupação contemporânea com o excesso de tecnologia, o Tin Can se posiciona como uma alternativa simples — e cada vez mais procurada — para conectar crianças de forma mais equilibrada.

Por Paraíba Master

Relacionados